Um dos pontos mais fortes do uso de drones na mineração é a segurança. No método GNSS tradicional, muitas vezes o operador precisa caminhar sobre a pilha, contornar taludes, acessar cristas, bases e zonas de instabilidade. No estudo comparativo entre drone e GNSS RTK, os autores observam que o GNSS demanda presença física em áreas de pilhas, aumentando riscos e desgaste físico, enquanto o drone reduz a necessidade de exposição direta.
No estudo com VANT, GNSS e LiDAR, essa mesma conclusão aparece: o VANT apresentou elevada segurança justamente porque não exige contato direto entre operador e pilha modelada. Além disso, combinou boa acurácia, produtividade, menor necessidade de mão de obra e menor custo de equipamento no comparativo analisado.
Em mineração, segurança não é um benefício secundário. É critério de decisão. Se uma tecnologia permite obter dados mais frequentes, com menor exposição humana e maior controle visual da operação, ela passa a influenciar diretamente a gestão de riscos.
Produtividade e frequência: medir melhor, mais vezes
Outro ganho relevante é a frequência de atualização. Um levantamento feito com drone pode ser repetido periodicamente para acompanhar evolução de pilhas, frentes de lavra, avanço de cava, movimentação de materiais, erosões, drenagens, estruturas geotécnicas e áreas ambientais.
O estudo comparativo entre VANT, GNSS e LiDAR (Silva et al, 2016) mostra bem esse impacto: a Tabela 7 aponta levantamento com VANT em 10 minutos, enquanto GNSS demandou 8 horas e LiDAR 12 horas no caso avaliado; ainda que o pós-processamento do VANT tenha levado mais tempo que o GNSS, o ganho de segurança, cobertura e acurácia tornou o método mais adequado para o problema proposto.
No estudo de Santos, Gonçalves e Pereira (2020), o GNSS RTK também aparece como ferramenta relevante para obtenção de coordenadas precisas, enquanto o drone amplia o detalhamento superficial e reduz a necessidade de exposição física do trabalhador nas pilhas.
Na prática, isso significa que a mina deixa de depender apenas de campanhas demoradas e passa a trabalhar com dados mais atuais. E dados atuais mudam a qualidade da decisão: permitem ajustar planejamento, conferir volumes, acompanhar produtividade, identificar desvios e reduzir incertezas.
O profissional que o mercado precisa
A principal transformação não está apenas no equipamento, mas na capacidade de transformar imagens aéreas em informação técnica confiável. A aula aberta do Instituto Minere apresenta os drones como ferramentas aplicadas ao monitoramento de frentes de lavra, levantamentos topográficos, controle de volumes e estoques, inspeção de áreas de difícil acesso, acompanhamento de estruturas geotécnicas, apoio ambiental e geração de informações estratégicas para tomada de decisão.
Essa visão é coerente com as evidências dos artigos. Santos, Gonçalves e Pereira (2020) mostram ganhos de segurança, detalhamento e produtividade no uso de drones em pilhas de estocagem. Silva et al. (2016) demonstram, por meio de comparação com GNSS e LiDAR, que o VANT pode gerar modelos adequados ao cálculo de volume com alto nível de detalhamento quando bem planejado e processado.
Para engenheiros de minas, geólogos, topógrafos, técnicos em mineração, profissionais de meio ambiente, geotecnologias e gestores, o diferencial deixa de ser apenas pilotar. O diferencial é saber responder: qual altura de voo usar? Qual sobreposição? Quantos pontos de controle? Como validar a acurácia? Quando usar MDT ou MDS? Como interpretar uma nuvem de pontos? Como transformar o levantamento em uma entrega que apoie decisão de lavra, estoque, segurança ou licenciamento?
O Drone não substitui tudo, integra tudo na mineração
Um ponto importante é evitar uma leitura simplista. Drone não elimina GNSS, LiDAR, SIG, topografia clássica ou conhecimento de campo. Pelo contrário: ele se integra a essas ferramentas.
Nos próprios estudos, o GNSS aparece como tecnologia essencial para apoio, pontos de controle, georreferenciamento e validação. O LiDAR também mantém papel relevante em aplicações específicas, especialmente quando o objetivo é gerar nuvens de pontos densas em determinados contextos. O que muda é a estratégia: escolher a tecnologia conforme o problema, o risco, a escala, a precisão necessária, o custo, o prazo e o produto final esperado.
A mineração moderna é orientada por dados. E, nesse cenário, drones são uma das ferramentas mais eficientes para capturar a realidade operacional com rapidez, segurança e riqueza de detalhes. Mas o resultado técnico depende menos do equipamento isolado e mais do método aplicado.
O futuro da mineração já está em voo — mas precisa de técnica
Os dois artigos analisados apontam para a mesma direção: drones já são ferramentas técnicas relevantes para a mineração, especialmente quando o objetivo é levantar superfícies complexas, calcular volumes, reduzir exposição humana e gerar dados mais detalhados para tomada de decisão.
Em Santos, Gonçalves e Pereira (2020), o drone se destaca na comparação com GNSS RTK em pilhas de estocagem por oferecer maior detalhamento, produtividade e segurança. Em Silva et al. (2016), o VANT apresenta a melhor acurácia no cálculo de volume da pilha de rejeito estudada, superando GNSS e LiDAR naquele contexto específico.
A mensagem central para o setor mineral é clara: o drone não deve ser tratado apenas como uma câmera aérea, mas como uma ferramenta de geração de dados técnicos. E, para que esses dados tenham valor real, é preciso domínio sobre planejamento de voo, georreferenciamento, fotogrametria, processamento, interpretação e aplicação dos produtos no planejamento, controle e monitoramento da mineração.
Referências Bibliograficas
SANTOS, Anderson Barros; GONÇALVES, Wesley Duarte; PEREIRA, Thaís. Estudo comparativo entre drone e Global Navigation Satellite System (GNSS) Real Time Kinemart (RTK) em levantamentos geodésicos em pilhas de estocagem de agregados na mineração. Anais do 2º Simpósio de TCC das Faculdades FINOM e Tecsoma, p. 116-136, 2020.
SILVA, Cristiano Alves da; DUARTE, Cynthia Romariz; SOUTO, Michael Vandesteen Silva; SANTOS, André Luis Silva dos; AMARO, Venerando Eustáquio; BICHO, Cristina Prando; SABADIA, José Antonio Beltrão. Avaliação da acurácia do cálculo de volume de pilhas de rejeito utilizando VANT, GNSS e LiDAR. Boletim de Ciências Geodésicas, Curitiba, v. 22, n. 1, p. 73-94, jan./mar. 2016. DOI: 10.1590/S1982-21702016000100005.
