A mineração enfrenta desafios crescentes relacionados ao controle de emissões de poeira nas operações. Ao mesmo tempo, o descarte inadequado de plástico PET representa um problema ambiental crítico. Para profissionais do setor que buscam soluções sustentáveis e inovadoras, entender como tecnologias emergentes estão unindo esses dois desafios é fundamental. Neste artigo, você vai conhecer o supressor de poeira feito com PET reciclado, seus resultados práticos e o modelo de inovação colaborativa que viabilizou o projeto.
O que é o supressor sustentável de poeira?
A Vale e a Biosolvit inauguraram a segunda fábrica dedicada à produção do supressor sustentável de poeira feito à base de plástico PET reciclado, em Itabira (MG). Com 960 m², a unidade terá capacidade para produzir 1 milhão de litros de resina biodegradável por mês, reaproveitando mais de 24 toneladas de garrafas PET por mês, incluindo materiais de baixa reciclabilidade que seria destinado para aterro sanitário.
O plástico passa por reciclagem química e é transformado em uma resina biodegradável e não tóxica, aplicada em pilhas de minério de ferro, vias não pavimentadas e carregamentos ferroviários de minério de ferro, formando uma película protetora que evita a dispersão de poeira e melhora a qualidade do ar.
Números que mostram o impacto ambiental
Desenvolvido pela Vale em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), o supressor será produzido pela Biosolvit, que já opera uma fábrica em Cariacica (ES). O investimento total da startup no projeto foi de R$ 30 milhões.
“Com as duas unidades, será possível retirar do meio ambiente mais de 70 milhões de garrafas PET por ano, fabricando um produto sustentável que ajuda a reduzir a emissão de poeira. Trata-se de um projeto que reforça o compromisso da empresa com a sustentabilidade”, destaca Guilhermo Queiroz, CEO da Biosolvit.
Capacidade produtiva das duas unidades:
- Produção mensal: 1 milhão de litros de resina biodegradável (por unidade)
- Reaproveitamento: 24 toneladas de PET por mês (por unidade)
- Total anual: Mais de 70 milhões de garrafas PET retiradas do meio ambiente
- Aplicação: Pilhas de minério, vias não pavimentadas e transporte ferroviário
Como funciona a tecnologia de reciclagem química?
O diferencial do supressor está no processo de reciclagem química do PET. Diferente da reciclagem mecânica tradicional, a reciclagem química quebra as moléculas do plástico e as reconstrói como uma resina biodegradável e não tóxica.
Esta resina, quando aplicada sobre superfícies na mineração, forma uma película protetora que impede a dispersão de partículas finas de poeira, melhorando significativamente a qualidade do ar nas áreas de operação e no entorno das minas.
Impacto social: gerando renda para catadores
Além do benefício ambiental, a iniciativa gera renda para famílias de catadores de material reciclável da região. Inicialmente, os recicláveis serão fornecidos por cerca de 560 catadores de 12 associações dos municípios de Itabira, Santa Bárbara, Barão de Cocais, João Monlevade, Rio Piracicaba, Ouro Preto, Mariana, Itabirito e Sabará. A expectativa é que haja um aumento de até 30% na receita desses trabalhadores com a venda de PET para a Biosolvit.
O papel do Projeto Reciclo Agora:
Essas associações são apoiadas pelo Projeto Reciclo Agora, criado pela Vale para fortalecer a gestão, infraestrutura e capacitação, promovendo a economia circular. O programa atende atualmente 21 associações em Minas Gerais. A Vale investiu, no último ano, R$ 700 mil no projeto, incluindo a consultoria e a construção de um galpão em Itabira para melhorar as condições de trabalho da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Itabira (Ascarmarita), que se prepara para fornecer insumos à fábrica.
“Buscamos iniciativas que promovam inclusão e gerem valor compartilhado nos territórios onde mantemos operações. O Reciclo Agora oferece consultoria especializada e financia estrutura adequada para que as associações atuem de forma eficiente e sustentável. O novo galpão, inaugurado na semana passada, permitirá melhores condições de trabalho para a triagem e o armazenamento dos materiais”, explica Camila Lott, diretora de Sustentabilidade da Vale.
A parceria entre Vale e UFES: 10 anos de pesquisa
O supressor sustentável combina tecnologia de ponta, sustentabilidade social e ambiental. A resina biodegradável, criada a partir de PET reciclado, é fruto de dez anos de pesquisa e R$ 12 milhões em investimentos, sendo um produto inédito e patenteado pela Vale e pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).
“Para a Ufes, a inauguração de mais uma planta do produto reforça o valor da parceria universidade-empresa para a promoção da inovação. Nesse caso, o conhecimento acadêmico foi transformado em solução benéfica para as empresas, as famílias de catadores de material reciclável e o meio ambiente, com a redução de garrafas PET sem destinação adequada. A sociedade ganha como um todo”, conta Miriam de Magdala, superintendente de Projetos e Inovação da Ufes.
Investimentos em inovação: o compromisso da Vale com P&D
Nos últimos anos, a Vale vem se dedicando a construir um ecossistema de inovação robusto que impacte toda a cadeia de valor. Em 2024, a empresa investiu US$ 790 milhões em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), preparando a companhia para os desafios do futuro. Esse movimento reflete o papel estratégico da transformação tecnológica nos negócios da Vale.
“Temos investido continuamente em PD&I, com mais de 250 parcerias externas nos últimos 15 anos, envolvendo universidades, institutos e órgãos de fomento. A inovação aberta nos permite conectar necessidades operacionais a soluções reais, além de fomentar a ciência. O supressor é exemplo dessa sinergia, unindo tecnologia e impacto positivo para a sociedade”, finaliza Leandro Viana Teixeira, gerente-geral de Inovação da Vale.
Checklist: Benefícios do supressor sustentável para a mineração
Ambiental:
- Redução da emissão de poeira nas operações
- Reaproveitamento de 70 milhões de garrafas PET por ano
- Destinação adequada para materiais de baixa reciclabilidade
- Melhoria da qualidade do ar nas áreas de operação
Social:
- Geração de renda para 560 catadores em 12 associações
- Aumento de até 30% na receita dos trabalhadores
- Melhoria das condições de trabalho das associações
- Fortalecimento da economia circular nos territórios
Técnico:
- Resina biodegradável e não tóxica
- Aplicação versátil: pilhas, vias e transporte ferroviário
- Produto patenteado resultado de 10 anos de pesquisa
- Tecnologia de reciclagem química avançada
Econômico:
- R$ 30 milhões investidos pela Biosolvit
- R$ 12 milhões em pesquisa e desenvolvimento
- US$ 790 milhões investidos pela Vale em PD&I em 2024
- Modelo de negócio que gera valor compartilhado
O papel estratégico de Itabira
“Estamos transformando desafios ambientais em oportunidades para melhorar a vida das pessoas e garantir um futuro mais seguro e saudável. A implantação desta unidade também reforça nosso compromisso com o plano estratégico Itabira Sustentável, ao trazer para o município uma nova atividade econômica que amplia as oportunidades de renda para centenas de famílias da região”, afirma Diogo Monteiro, diretor de Operações da Vale em Itabira.
A escolha de Itabira para sediar a segunda unidade de produção não é casual. O município concentra operações importantes da Vale e agora passa a integrar também a cadeia de inovação sustentável da empresa, diversificando sua economia e fortalecendo o desenvolvimento local.
Domine os processos sustentáveis na mineração
A inovação na mineração está diretamente ligada à capacidade de desenvolver processos mais sustentáveis, eficientes e que gerem valor compartilhado. Projetos como o supressor de poeira demonstram como tecnologia, sustentabilidade e impacto social podem caminhar juntos.
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