A recuperação de áreas degradadas por processos erosivos severos — como voçorocas — tornou-se um dos grandes desafios ambientais de Minas Gerais. Com mais de 1,2 milhão de hectares em risco erosivo no estado, segundo estudos acadêmicos e diagnósticos recentes, cresce o interesse por soluções que unam segurança técnica, viabilidade ambiental e recomposição do território. Entre essas soluções está o uso de resíduos de mineração classificados como não perigosos para estabilizar encostas e restabelecer a dinâmica natural do solo.
A proposta, já em execução na zona rural de Itabirito por meio do projeto Ivoti Ambiental, desenvolvido pelo Grupo Tazay, e baseia-se em princípios consolidados de geotecnia, drenagem e engenharia ambiental. O método substitui o uso de solo virgem — que exigiria novas remoções — por materiais seguros oriundos da mineração, devidamente licenciados e rastreados. Até agora, 3 milhões de toneladas já foram destinadas para recompor áreas degradadas, fortalecendo taludes, controlando processos erosivos e criando condições para o retorno da vegetação nativa.
Por que resíduos de mineração podem ajudar o meio ambiente?
Engenheiros e pesquisadores destacam que os resíduos classificados como não perigosos possuem composição geológica semelhante à do próprio solo da região. Em vez de permanecerem acumulados em pilhas ou barragens, passam a cumprir uma função ambiental positiva ao recompor áreas onde o solo foi totalmente perdido pela erosão.
No caso das voçorocas de Itabirito, esse material é aplicado de forma controlada, seguindo estudos técnicos, autorizações e análises . A técnica reduz o avanço das crateras, restabelece a infiltração de água e devolve suporte físico para o reflorestamento.
“A solução não substitui a regeneração natural, mas cria as condições para que ela volte a acontecer”, explica o engenheiro de minas Eduardo Diniz, responsável técnico pelo projeto.
Estudos, licenciamento e monitoramento contínuo
Cada área de intervenção passa por um processo prévio de diagnóstico: análise ambiental, geotécnica, estudo dos solos, avaliação de risco erosivo, estudo de drenagem, caracterização do material a ser usado e definição das camadas de recomposição. O projeto é licenciado pelos órgãos ambientais de dos territórios e acompanhado por responsáveis técnicos registrados.
Após a recomposição física, o Grupo Tazay executa o sistema de drenagem superficial, etapa crucial para interromper o ciclo de abertura das voçorocas. O monitoramento continua após a obra, garantindo estabilidade e avaliando o desenvolvimento da vegetação.
Com a reestruturação do solo, o local recupera gradualmente funções como:
- recarga de lençóis freáticos;
- suporte para raízes e regeneração vegetal;
- proteção contra novos processos erosivos;
- retomada de fauna e restabelecimento de corredores ecológicos.
- Áreas antes consideradas “perdidas” retomam sua função ambiental e produtiva.
Ciência e mineração responsável trabalhando lado a lado
A metodologia adotada pelo Grupo Tazay no Ivoti Ambiental materializa uma tendência reconhecida internacionalmente: transformar passivos ambientais em soluções de regeneração. O processo evita o descarte de grandes volumes de material em pilhas, reduz a necessidade de exploração de novos recursos naturais e ainda promove benefícios diretos para o território.
Ao unir inteligência técnica, inovação e responsabilidade social, a solução demonstra que a recuperação ambiental em áreas críticas é possível. “O desafio das áreas degradadas exige técnica, engenharia e ciência. Quando aplicamos resíduos não perigosos de forma correta, licenciada e monitorada, eles deixam de ser problema e se tornam parte da solução”, afirma Eduardo.
