A concentração de 67,5% das exportações de minério de ferro brasileiro para um único país representa um risco estratégico significativo. Para profissionais que acompanham as transformações no setor mineral e entendem a importância da diversificação produtiva, compreender as diretrizes do novo planejamento nacional é fundamental. Neste artigo, você vai conhecer os objetivos do PNM 2050, os números que evidenciam a vulnerabilidade atual e como o Brasil pretende diversificar sua produção mineral.
O que é o Plano Nacional de Mineração 2050?
O Ministério de Minas e Energia (MME) abriu, na sexta-feira (9), uma consulta pública, que ficará disponível até dia 8 de fevereiro, sobre a minuta atualizada do Plano Nacional de Mineração 2050 (PNM 2050). O documento visa, entre outros pontos, à redução da dependência do minério de ferro, principal mineral produzido e exportado pelo Brasil, e da China, principal parceiro comercial e destino de mais da metade dos envios do produto.
O PNM 2050 orienta o desenvolvimento da mineração no horizonte de 2025 a 2050. A nova versão do plano define como parte da visão de futuro que parcela significativa da produção nacional seja composta por minerais críticos e estratégicos. A ideia é diversificar a pauta exportadora tanto em conteúdo quanto em direcionamento, apoiando setores estratégicos da indústria, energia e agricultura, fortalecendo a competitividade e a sustentabilidade do País.
Por que diversificar é urgente
Essa ambição compõe um dos objetivos traçados no documento. O objetivo 2 enfatiza a importância do mapeamento geológico, da pesquisa mineral e do aproveitamento eficiente do patrimônio mineral, como foco em minerais críticos e estratégicos, reconhecendo justamente que a baixa diversificação da produção, a ociosidade de áreas minerárias e o baixo investimento em pesquisa mineral limitam o potencial econômico do setor.
“Ao ampliar o conhecimento geológico, reduzir áreas ociosas, diversificar a produção e priorizar minerais estratégicos como lítio, cobre, grafita, potássio e fosfato, dentre outros, o Brasil assegura insumos fundamentais para a transição energética e segurança alimentar, além de outros diversos segmentos”, destaca trecho do PNM 2050.
A vulnerabilidade da concentração comercial
O documento ressalta que a manutenção de relações comerciais fortemente concentradas na exportação ou importação em poucos bens minerais e mercados aumenta a vulnerabilidade do setor mineral brasileiro, especialmente diante do atual contexto geopolítico, marcado por conflitos armados, restrições de oferta e crescente adoção de medidas protecionistas.
“Guerras e disputas geoeconômicas têm levado países a priorizar o abastecimento interno, ampliar estoques estratégicos e rever políticas comerciais como resposta a ações de outros atores internacionais”, explica trecho do plano sobre o contexto do setor e os cenários.
“Nesse cenário, eventuais mudanças na política comercial ou industrial da China podem afetar significativamente a demanda por minério de ferro brasileiro, reforçando a necessidade de diversificação de mercados e de produtos como estratégia para mitigar riscos”, complementa o documento, depois de apresentar dados que ilustram à expressiva concentração das exportações em um único bem mineral e direcionado majoritariamente a um único mercado.
A evolução da dependência da China em números
De acordo com o PNM 2050, em 1990, a China importava apenas 2% do minério de ferro brasileiro, participação equivalente a 5% dos embarques totais nacionais. Em 2009, esses percentuais elevaram-se para 59% e 9%, respectivamente. Já em 2024, o produto representou aproximadamente 8,9% das vendas externas do País, tendo o mercado chinês como principal destino, com participação de 66,6%.
Evolução da dependência:
- 1990: China importava 2% do minério de ferro brasileiro (5% dos embarques totais)
- 2009: Participação salta para 59% das exportações de ferro (9% dos embarques totais)
- 2024: China absorve 66,6% das exportações de minério de ferro brasileiro (8,9% das vendas externas totais do País)
- 2025: Concentração aumenta para 67,5% das exportações de ferro (8,3% de todos os embarques brasileiros)
Cabe dizer que, em 2025, o percentual de participação da China nas exportações de minério de ferro do Brasil foi de 67,5% e a commodity respondeu por 8,3% de todos os embarques. Os dados constam na plataforma Comex Stat, da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/Mdic).
Minerais críticos e estratégicos: a nova prioridade
O PNM 2050 estabelece como prioridade nacional o desenvolvimento da produção de minerais críticos e estratégicos, essenciais para a transição energética e segurança de cadeias produtivas estratégicas.
Minerais prioritários segundo o plano:
- Lítio: Fundamental para baterias de veículos elétricos e armazenamento de energia
- Cobre: Essencial para eletrificação e infraestrutura de energia renovável
- Grafita: Componente crítico em baterias e tecnologias emergentes
- Potássio: Insumo estratégico para segurança alimentar e agricultura
- Fosfato: Essencial para fertilizantes e produção agrícola
Esses minerais representam não apenas oportunidades de diversificação comercial, mas também posicionamento estratégico do Brasil em cadeias globais de suprimento de tecnologias emergentes.
Mapeamento geológico: conhecer para explorar
Um dos pilares do PNM 2050 é a ampliação do conhecimento geológico do território brasileiro. O documento reconhece que a ociosidade de áreas minerárias e o baixo investimento em pesquisa mineral limitam o potencial econômico do setor.
Ao ampliar o mapeamento geológico, o Brasil poderá:
- Identificar novas reservas de minerais críticos e estratégicos
- Reduzir áreas minerárias ociosas
- Atrair investimentos em pesquisa mineral
- Fortalecer a competitividade internacional do setor
- Assegurar insumos para transição energética e segurança alimentar
Checklist: Os pilares do PNM 2050
Diversificação produtiva:
- Reduzir concentração no minério de ferro
- Desenvolver produção de minerais críticos e estratégicos
- Ampliar portfólio de commodities minerais
- Reduzir ociosidade de áreas minerárias
Diversificação de mercados:
- Diminuir dependência da China
- Expandir destinos das exportações
- Fortalecer relações comerciais diversificadas
- Mitigar riscos geopolíticos
Conhecimento geológico:
- Ampliar mapeamento do território nacional
- Investir em pesquisa mineral
- Identificar novas reservas de minerais estratégicos
- Aproveitar eficientemente o patrimônio mineral
Segurança estratégica:
- Assegurar insumos para transição energética
- Garantir segurança alimentar via potássio e fosfato
- Fortalecer cadeias produtivas nacionais
- Reduzir vulnerabilidade geopolítica
Domine as políticas públicas que estão transformando a mineração
O Plano Nacional de Mineração 2050 representa uma mudança estrutural na forma como o Brasil enxerga seu setor mineral. Profissionais que compreendem as implicações regulatórias, estratégicas e geopolíticas dessas transformações estarão à frente na identificação de oportunidades e na gestão de riscos.
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