Apesar da relevância do beneficiamento na cadeia mineral, muitas operações no Brasil ainda apresentam fragilidades estruturais que se repetem ao longo de diferentes commodities e portes de projeto. Esses problemas não decorrem, em geral, da ausência de tecnologia, mas da falta de integração conceitual entre as áreas envolvidas no processo.
Um dos erros mais recorrentes é a subestimação da variabilidade do minério. Projetos são frequentemente baseados em médias que não representam o comportamento real do depósito. Essa simplificação compromete desde a cominuição até o desempenho da flotação e da separação sólido-líquido.
Outro ponto crítico é a caracterização mineralógica tratada como etapa pontual, dissociada da operação. Sem dados mineralógicos e texturais integrados ao processo, decisões passam a ser empíricas, limitando a capacidade de otimização e controle.
A cominuição merece destaque especial. Circuitos mal dimensionados ou mal controlados resultam em alto consumo energético, liberação inadequada e geração excessiva de finos, impactando toda a cadeia do beneficiamento. Ainda assim, é comum que problemas de desempenho sejam atribuídos exclusivamente à concentração ou à flotação.
Por fim, a gestão da água costuma ser tratada de forma reativa, como exigência ambiental e não como variável de processo. Essa abordagem aumenta riscos operacionais, dificulta a recirculação hídrica e amplia a complexidade da disposição de rejeitos.
Esses erros, quando combinados, reduzem previsibilidade, elevam custos e comprometem a sustentabilidade técnica da mineração.
