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O Brasil na Geopolítica dos Minerais Críticos: Da Vantagem Geológica à Liderança Estratégica

Instituto Minere

Recentemente, o Brasil tem realizado esforços importantes no âmbito governamental para dar suporte e atualizações ao setor mineral, movimento que já começa a produzir reflexos concretos na percepção internacional de investidores. O resultado mais expressivo dessa mudança pode ser observado no último levantamento do Fraser Institute, por meio do Índice de Atratividade de Investimento (IAI), no qual o país apresentou uma ascensão significativa no ranking global. Segundo o “Annual Survey of Mining Companies 2025” (Fraser Institute, 2026), o Brasil saltou da 56ª posição para a 19ª colocação global, tornando-se a jurisdição mais atraente da América Latina para investimentos em mineração. O Índice de Percepção de Políticas (PPI) também apresentou avanço expressivo, refletindo melhora na previsibilidade institucional e redução de incertezas regulatórias.

Esse fortalecimento ocorre em um momento particularmente estratégico. Desde a quarta revolução industrial, o mundo passou a demandar volumes crescentes e maior diversidade de elementos químicos minerados. A digitalização da economia, a expansão da inteligência artificial, o crescimento da demanda por data centers e as novas tecnologias relacionadas à transição energética redefiniram o papel dos minerais críticos e estratégicos. Lítio, níquel, grafita, vanádio, terras raras e nióbio deixaram de ser apenas ativos minerais para se tornarem insumos geopolíticos. A nova dinâmica global divide o mundo, de forma cada vez mais evidente, entre países detentores de reservas e tecnologia mineral e países dependentes de matéria-prima ou de produtos industrializados. A eventual escassez ou interrupção no fornecimento de determinados minerais pode inviabilizar cadeias industriais inteiras desde a produção de baterias e veículos elétricos à fabricação de semicondutores e equipamentos de defesa, além de comprometer a segurança alimentar, como no caso de agrominerais, a exemplo do fosfato e potássio. Nesse cenário, a mineração passou a ocupar posição central na estratégia econômica e política das nações.

O Brasil, nesse contexto, não é apenas promissor, já é protagonista. Em termos de produção mineral em 2025, o país ocupa a 1ª posição mundial em nióbio (90,9% da produção global), a 2ª em minério de ferro (17,5%), a 4ª em vanádio (5,0%) e grafita (4,3%), a 5ª em alumínio/bauxita (7,3%), a 6ª em lítio (4,2%) e a 8ª em níquel (2,1%). Quando se analisam as reservas minerais, o protagonismo torna-se ainda mais expressivo: o Brasil detém a 1ª maior reserva mundial de nióbio (94,1%), a 2ª em grafita (25,5%) e em terras raras (23,3%), a 3ª em minério de ferro (17%) e níquel (12,3%), além de posições relevantes em bauxita (5ª – 9,3%), vanádio (5ª) e lítio (8ª). Esses números foram recentemente consolidados pelo Serviço Geológico do Brasil na mais atual edição do volume “An overview of critical and strategic minerals potential of Brazil: 2026 edition” (SGB, 2026), lançado durante o PDAC deste ano, que apresenta um panorama atualizado do potencial brasileiro em minerais críticos e estratégicos.

Esses números evidenciam que o Brasil reúne ativos estratégicos fundamentais para o século XXI. No entanto, a grande questão contemporânea não é apenas possuir reservas significativas, mas transformá-las em operações efetivas no tempo adequado. Na geopolítica dos minerais críticos, o tempo é um ativo precioso. Projetos que demoram a sair do papel podem significar perda de competitividade, deslocamento de investimentos e enfraquecimento da posição internacional. Viabilizar reservas exige capital social, segurança jurídica, estabilidade regulatória, eficiência nos licenciamentos ambientais e capacidade de atração de investimentos. Exige também uma base estatal forte, técnica e experiente.

Nesse cenário, o Brasil dispõe de uma vantagem estrutural relevante: não parte do zero. O Serviço Geológico do Brasil desempenha papel estratégico há mais de cinco décadas na aquisição e na disponibilização de dados pré-competitivos, mantendo uma base pública robusta que abrange cartografia geológica sistemática, levantamentos geofísicos e geoquímicos, inventários de recursos minerais e projetos específicos voltados a minerais críticos. Trata-se de uma base de dados geocientíficos consolidada, acessível gratuitamente por meio do repositório oficial da instituição, que reduz incertezas exploratórias e amplia a atratividade do território nacional.

Esse esforço é complementado por um ecossistema institucional sólido e articulado. O Centro de Tecnologia Mineral (CETEM) atua no desenvolvimento e na transferência de tecnologias aplicadas à indústria mineral, promovendo inovação, agregação de valor e maior eficiência produtiva. A Agência Nacional de Mineração (ANM) assegura estabilidade institucional e regulatória, garantindo segurança jurídica aos títulos e alvarás minerários. As universidades federais, por sua vez, sustentam a formação de recursos humanos altamente qualificados e a geração contínua de conhecimento científico. No âmbito estadual, a Companhia Baiana de Produção Mineral (CBPM) destaca-se como empresa de pesquisa, desenvolvimento e, mais recentemente, produção mineral do Estado da Bahia, exercendo papel indutor no crescimento do setor. Sua atuação concentra-se na ampliação do conhecimento geológico do território baiano, na identificação e pesquisa de recursos minerais e no fomento ao seu aproveitamento econômico, atraindo a iniciativa privada e estruturando novos projetos.

Em conjunto, essas instituições acumulam décadas de expertise técnica e conhecimento aplicado ao desenvolvimento mineral brasileiro, contribuindo de forma integrada para fortalecer a competitividade e a segurança institucional do setor. O desafio, portanto, não está na criação de novas estatais ou estruturas paralelas, mas no fortalecimento das capacidades já existentes. Ampliar e valorizar quadros técnicos, assegurar orçamento compatível com a relevância estratégica da mineração e garantir continuidade institucional são medidas decisivas para consolidar o protagonismo brasileiro no cenário global.

Esse protagonismo, contudo, carrega uma responsabilidade proporcional à dimensão do país. O Brasil não é apenas uma potência mineral, é também uma potência ambiental e sociocultural. Com seis grandes biomas, incluindo a Floresta Amazônica, a maior floresta tropical do mundo, além de vasta biodiversidade e da presença de povos originários e comunidades quilombolas distribuídos por todo o território, o país ocupa posição singular no debate internacional sobre desenvolvimento sustentável. Pensar a expansão da mineração brasileira exige, portanto, decisões que integrem de forma consistente as dimensões econômica, ambiental e social. Conciliar competitividade mineral com conservação ambiental, respeito aos territórios tradicionais e geração de desenvolvimento local não é apenas uma exigência regulatória. A credibilidade internacional do Brasil, assim como sua liderança na nova geopolítica dos minerais críticos, dependerá da capacidade de transformar seu enorme potencial geológico em prosperidade compartilhada e ambientalmente responsável.

O país reúne reservas expressivas, capacidade técnica instalada e crescente reconhecimento internacional quanto à melhoria do ambiente de investimentos. A provocação que se impõe é clara: conseguiremos avançar além da condição de exportadores de matéria-prima e agregar valor às nossas cadeias minerais? 

Na nova geopolítica dos minerais críticos, protagonismo não é apenas uma questão de riqueza geológica, é uma questão de visão estratégica. É preciso alinhar segurança institucional, velocidade de execução e capacidade industrial para fortalecer a indústria nacional. O Brasil possui os recursos minerais em um momento que exige decisão, coordenação e fortalecimento de instituições públicas para transformar potencial em prosperidade para seu povo.

Referências:

MEJIA, Julio; ALIAKBARI, Elmira. Annual Survey of Mining Companies, 2025. Vancouver: Fraser Institute, 2026. (https://www.fraserinstitute.org/sites/default/files/2026-02/annual-survey-of-mining-companies-2025.pdf#page=7.54)

Geological Survey of Brazil. An overview of critical and strategic minerals potential of Brazil: 2026 edition. [S.l.]: CPRM, 2026. (https://rigeo.sgb.gov.br/bitstreams/df8fd3c7-0417-412f-9c72-5a8fe087a2c6/download)

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