O município de Itabirito (MG) abriga uma das experiências mais inovadoras de recuperação de áreas degradadas em curso no Brasil.
A solução Ivoti, desenvolvida pelo Grupo Tazay, aplica técnicas de engenharia ambiental e economia circular para restaurar voçorocas — erosões profundas que ameaçam o solo, as nascentes e as comunidades locais.
Para entender como essa iniciativa vem transformando paisagens e criando um novo modelo de sustentabilidade, o Instituto Minere conversou com Jefferson Mendes, pesquisador e um dos idealizadores da solução Ivoti.
Minere: O que motivou o desenvolvimento da solução Ivoti?
Jefferson Mendes: O ponto de partida foi o desafio de reverter um processo histórico de erosão severa no Quadrilátero Ferrífero. As voçorocas são cicatrizes ambientais que afetam diretamente os recursos hídricos, a segurança das comunidades e o potencial produtivo das terras.
Nosso objetivo foi unir ciência, engenharia e sustentabilidade para transformar essas áreas degradadas em espaços produtivos e ambientalmente equilibrados.
Minere: Como funciona o método aplicado pelo Grupo Tazay?
Jefferson Mendes: Utilizamos materiais licenciados, provenientes de processos minerários regulares — rejeitos não perigosos que passam por análise, rastreamento e controle ambiental.
Esses materiais são aplicados de forma controlada nas voçorocas, reconstituindo o relevo e estabilizando o solo.
Depois, as áreas passam por reflorestamento com espécies nativas, promovendo o retorno da vegetação e da fauna.
É um processo técnico, mas também regenerativo: o solo volta a cumprir sua função ecológica e produtiva.
Minere: Quais os principais resultados ambientais observados até agora?
Jefferson Mendes: O mais importante é o controle efetivo da erosão.
As áreas que antes ameaçavam córregos e nascentes hoje estão estabilizadas, com regeneração natural em andamento.
Isso melhora a infiltração de água, reduz o assoreamento e cria condições para a recomposição da Mata Atlântica.
Cada voçoroca recuperada representa uma nova área de vida sendo devolvida à natureza.
Minere: O projeto envolve a comunidade local?
Jefferson Mendes: Sim. Desde o início, a comunidade de Bom Sucesso acompanha as obras e participa das discussões.
Fazemos questão de manter o diálogo aberto e transparente, porque a população é parte da solução.
A recuperação ambiental precisa ser vivida, e não apenas observada.
Minere: Em poucas palavras, qual é o legado que o projeto pretende deixar?
Jefferson Mendes: Mostrar que mineração e sustentabilidade podem caminhar juntas quando há ciência, responsabilidade e planejamento.
Recuperar o solo é apenas o primeiro passo; o verdadeiro resultado é um território regenerado e pronto para gerar vida e oportunidades novamente.
