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Brasil Mira R$ 100 Bilhões em Investimentos de Minerais Críticos: Entenda a Disputa Geopolítica e as Oportunidades

Instituto Minere

Enquanto Estados Unidos e China travam uma guerra comercial pelos minerais que movem a economia do século 21, o Brasil surge como alternativa estratégica com R$ 100 bilhões em investimentos previstos até 2029. Para profissionais da mineração, entender essa disputa geopolítica e o posicionamento do País é essencial para identificar oportunidades de carreira e negócios. Neste artigo, você vai conhecer os principais projetos em andamento, os gargalos do setor e por que o Brasil pode se tornar protagonista global nesse mercado.

Por que minerais críticos são estratégicos?

Trata-se da disputa por minerais críticos e terras raras, insumos indispensáveis para viabilizar as tecnologias emergentes da nova economia energética global, da fabricação de telas de smartphones a turbinas eólicas, passando por baterias recarregáveis de carros elétricos, redes inteligentes e até mísseis.

Num momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avança sobre as reservas de petróleo na Venezuela – minando, por tabela, o fornecimento do combustível fóssil para a China – um evento internacional lança luz sobre a verdadeira batalha geopolítica do século 21: o Future Minerals Forum.

O que é o Future Minerals Forum e por que o Brasil está lá?

O Future Minerals Forum (FMF) 2026, realizado em Riad, na Arábia Saudita, entre 13 e 15 de janeiro, é considerado o principal evento mundial de articulação entre governos, empresas, investidores e organismos multilaterais em torno do futuro da mineração, dos minerais críticos e da segurança das cadeias globais de suprimento.

A delegação brasileira:

O Brasil está enviando uma delegação de mais de 100 pessoas, incluindo integrantes do governo e de empresas dos setores de mineração, energia, siderurgia e infraestrutura, refletindo o peso do País no debate global sobre minerais críticos e transição energética.

Por que o Brasil é relevante?

O País concentra cerca de 19% das reservas globais de terras raras – conjunto de 17 elementos químicos da tabela periódica, essenciais para turbinas eólicas, veículos elétricos e aplicações de defesa -, além de aproximadamente 74 milhões de toneladas de grafita, insumo-chave para baterias e sistemas de armazenamento de energia.

Soma-se a isso sua posição de destaque em manganês e níquel, o avanço acelerado da produção de lítio – especialmente no Vale do Jequitinhonha – e uma matriz elétrica majoritariamente renovável, fator decisivo para a produção de minerais com menor intensidade de carbono.

R$ 100 bilhões em investimentos até 2029: o pipeline brasileiro

Essas credenciais justificam a estimativa do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que prevê um pipeline de investimentos em projetos de minerais críticos no País de cerca de R$ 100 bilhões até 2029, a maior parte com aportes de fora.

Estudos recentes confirmam o potencial:

Outros dois estudos divulgados recentemente, um da consultoria PwC e outro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), reforçam o potencial de inserção estratégica do Brasil em cadeias globais de abastecimento de minerais críticos e estratégicos.

Por que investidores estrangeiros estão de olho no Brasil?

Para Carlo Pereira, CEO da Gin Capital – plataforma de investimentos voltada para as áreas de mineração e datacenter -, o Brasil tem potencial de atrair novos investidores em Riad, à medida que os minerais críticos e as terras raras ganham cada vez mais relevância na transição energética e na economia como um todo.

A demanda global:

Parte desse apetite se deve à constatação de que o mundo está sedento desses minerais críticos, com uma demanda de três a quatro vezes maior que o volume atualmente ofertado.

O diferencial brasileiro:

Segundo ele, o diferencial do Brasil neste momento vai além do volume de recursos naturais em seu subsolo. “O debate global deixou de ser apenas sobre oferta de minério, mas de quem oferece previsibilidade, governança, descarbonização e alinhamento geopolítico”, afirma Pereira. “O Brasil reúne esses atributos e o FMF é o palco onde isso se traduz em capital e parcerias concretas.”

Potencial subestimado:

Ele cita o fato de o potencial mineral do Brasil ser subestimado – detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, por exemplo, apesar de ter mapeado apenas 23% de seu subsolo. Além disso, a segurança jurídica e a estabilidade regulatória do País são atrativos em comparação com outros mercados emergentes, como a República Democrática do Congo, que lidera produção global de cobalto e as reservas de cobre.

O que investidores árabes buscam no Brasil?

A Gin Capital organizou um evento na Embaixada do Brasil em Riad na segunda, 12, para aproximar brasileiros e sauditas e apresentar o potencial mineral do País, levando empresas com mandato para captar e formar parcerias.

Modelo de parceria:

Segundo ele, investidores árabes rejeitam a abordagem de “caixa eletrônico”, limitada a pedidos de aportes. “Preferem parcerias com investimento e presença recíproca; o Brasil pode atrair capital e desenvolver cadeias locais via joint ventures, plantas e transferência tecnológica”, acredita.

“O Future Minerals Forum é o espaço onde essas vantagens se conectam diretamente ao capital global e às decisões geopolíticas que estão redesenhando as cadeias produtivas”, afirma Pereira, que não esconde a expectativa de intermediar negócios com fundos de investimento dos países do Golfo, atentos ao movimento de diversificação e transição energética global.

Principais projetos de minerais críticos em andamento no Brasil

O Brasil já conta com projetos de mineração de terras raras em Minas Gerais, Goiás, Bahia e Amazonas. Esses projetos são financiados por companhias tanto brasileiras quanto internacionais (EUA, Austrália e China).

Os três principais projetos têm empresas estrangeiras à frente, evidenciando o interesse internacional no potencial mineral brasileiro:

1. Projeto Colossus – Poços de Caldas (MG)

Liderado pelas australianas Viridis Mining e Minerals Limited, o projeto Colossus possui as mais altas taxas globais de recuperação de elementos raros, solidificando o projeto como um líder mundial na recuperação de neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. O investimento total é de R$ 1,35 bilhão.

2. Projeto Meteoric Resources – Poços de Caldas (MG)

O projeto da australiana Meteoric Resources, também na cidade mineira, tem investimento de R$ 1 bilhão voltado para extração de argila iônica. A expectativa é de geração de 700 empregos.

3. Projeto Serra Verde – Minaçu (GO)

Por fim, o projeto tocado pelas americanas Denham Capital e Minerals Group, em Minaçu, Goiás, tem aporte de R$ 855 milhões direcionado à unidade operacional do grupo Serra Verde, a Serra Verde Pesquisa e Mineração (SVPM). O objetivo é fortalecer a produção de elementos fundamentais para a transição energética, como ímãs, baterias e turbinas eólicas.

Total investido nesses três projetos: R$ 3,2 bilhões

Reservas brasileiras de minerais críticos: os números

A PwC afirma que o Brasil aparece com reservas medidas e indicadas de cerca de 1,3 milhão de toneladas de lítio, cerca de 5% do total global; 74 milhões de toneladas de grafita (26% do total global) e 21 milhões de toneladas de terras raras, além de reservas menores de níquel, manganês e vanádio.

Terras raras: 21 milhões de toneladas (19% das reservas globais) – essenciais para turbinas eólicas, veículos elétricos e aplicações de defesa.

Grafita: 74 milhões de toneladas (26% das reservas globais) – insumo-chave para baterias e sistemas de armazenamento de energia.

Lítio: 1,3 milhão de toneladas (5% das reservas globais) – fundamental para baterias de veículos elétricos.

Manganês, níquel e vanádio: O Brasil possui também reservas menores desses minerais, utilizados em siderurgia, baterias e ligas especiais.

O grande gargalo brasileiro: refino e transformação

O maior gargalo, de acordo com relatório da PwC, está no refino e transformação química, ou seja, conversão dos concentrados em compostos industriais puros (óxidos, carbonatos ou metais). Grande parte do que é extraído é exportada em forma bruta ou concentrada para refino em países como China e Coreia do Sul.

Exemplo prático:

“O lítio extraído no Brasil até recentemente era exportado como concentrado de espodumênio com baixo valor agregado”, aponta o relatório.

Isso significa que o Brasil perde a oportunidade de agregar valor à cadeia produtiva, exportando matéria-prima bruta em vez de produtos refinados com preço superior.

Políticas públicas: o que está sendo feito?

O estudo do Cebri, divulgado em novembro, destaca a necessidade de criação de políticas públicas. “Para que o Brasil potencialize a extração e o aproveitamento de seus recursos minerais críticos e estratégicos, é imprescindível estabelecer políticas que integrem mineração, inovação e sustentabilidade”, diz o relatório do Cebri.

Avanços legislativos:

Desde 2024, o Congresso Nacional debate a criação de uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, visando incentivar a exploração e o beneficiamento de minérios como lítio, terras raras e grafite, essenciais para a transição energética e tecnologia.

Projetos de lei em tramitação:

Os dois projetos de lei em tramitação – o PL 2780/2024 na Câmara dos Deputados e o PL 4443/2025 no Senado – devem convergir em um, com o da Câmara mais cotado para concentrar as medidas.

Outras iniciativas esperadas:

Também são esperadas iniciativas como um fundo do BNDES de financiamento a baixo custo e a aprovação de um Plano Nacional de Mineração-2050 para aumentar a competitividade do setor.

A guerra entre EUA e China por minerais críticos

A necessidade de acelerar o processo se deve à janela de oportunidade aberta com a disputa entre Estados Unidos e China pelos minerais críticos e estratégicos.

Desigualdade de forças:

O poderio militar inigualável dos EUA apregoado por Trump não consegue desequilibrar a correlação de forças das duas superpotências econômicas mundiais em reservas, produção e refino de muitos desses minerais críticos.

Domínio chinês:

A China responde por mais de 50% da produção de 18 minerais críticos, além de controlar grande parte do refino e processamento de terras raras, grafita, vanádio e etapas intermediárias de lítio e cobalto. E tem usado esse domínio como arma estratégica na guerra comercial com os Estados Unidos.

Como a China usa minerais críticos como arma geopolítica

Restrições de 2023:

Em 2023, a China implementou restrições à exportação de grafita refinada e gálio – insumos estratégicos para baterias e semicondutores – em resposta a disputas comerciais com os Estados Unidos e a União Europeia.

Restrições de 2025:

Em 2025, as restrições chinesas em resposta às novas tarifas americanas foram sobre a exportação de terras raras – essenciais para produção de tecnologias de ponta –, cujo refino em 2024 se concentrou em 91% na China, tornando-se pauta estratégica das negociações entre Estados Unidos e Brasil.

A lição para o Brasil:

Isso evidencia como o controle sobre etapas mais avançadas da cadeia mineral pode se converter em alavanca geopolítica – uma lição que o Brasil precisa aprender e rápido.

Checklist: Oportunidades para profissionais e empresas brasileiras

Exploração mineral: Apenas 23% do subsolo brasileiro foi mapeado – enorme potencial para novos projetos de pesquisa e prospecção.

Refino e transformação: Desenvolver capacidade local de processamento químico é a grande oportunidade para agregar valor à cadeia.

Joint ventures: Parcerias com investidores árabes e internacionais que buscam presença recíproca e transferência tecnológica.

Transferência tecnológica: Atrair plantas industriais e know-how estrangeiro para desenvolver capacidades locais.

Legislação e compliance: Atuar na implementação da Política Nacional de Minerais Críticos e nas novas regulamentações do setor.

ESG e descarbonização: Aproveitar matriz elétrica renovável para produção de minerais com baixa intensidade de carbono, diferencial competitivo no mercado global.

Prepare-se para liderar na nova economia mineral

A disputa geopolítica por minerais críticos está redefinindo o mercado global de mineração, e o Brasil tem potencial único para se posicionar como protagonista. Profissionais que dominam os aspectos regulatórios, estratégicos e de ESG estarão à frente nessa transformação.

Se você busca compreender a fundo as mudanças no marco regulatório, as dinâmicas geopolíticas e as práticas de governança que estão moldando o futuro da mineração, conheça o MBA em Direito da Mineração, Ambiental e ESG do Instituto Minere.

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