Operacionalização de Projetos de Mineração

por Edmo Rodovalho em 08/Apr/2019
Operacionalização de Projetos de Mineração

O desenvolvimento de um projeto de mineração, antes da fase operacional, possui várias etapas dedicadas a avaliação de recursos e reservas minerais, otimização de cavas, análise de viabilidade econômica e outras. A avaliação de recursos minerais contempla a aplicação de técnicas de estimativa que podem ser convencionais ou geoestatísticas. Depósitos que possuem distribuição errática de teores, descontinuidades e variabilidade ao longo de sua extensão recomenda-se o uso de técnicas geoestatísticas visando controlar o grau de incertezas. O produto desta etapa é um modelo geológico discretizado em blocos.

Este modelo de blocos, limitado a uma superfície topográfica atualizada, serve como principal input da etapa de otimização de cavas. A otimização pode ser aplicada seguindo várias opções de métodos, como: programação inteira mista, pseudoflow ou o algoritmo de Lerchs-Grossmann. O último método citado é mais difundido na indústria de mineração e representa o estado da arte para otimização de cava. Um dos resultados da otimização de cava são as cavas matemáticas finais. Frequentemente, estas cavas servem como referência para a operacionalização de projetos de mineração. Por que as cavas matemáticas finais não podem ser consideradas cavas operacionais?

Uma cava matemática final é resultado de uma operação matemática que define a porção onde a lavra é economicamente viável considerando premissas operacionais, geotécnicas e econômicas. Logo, esta geometria ainda não é considerada uma cava operacional. Para isso, é necessário aplicar rotinas de operacionalização de cava. O Engenheiro de Minas, auxiliado por outros profissionais, é tradicionalmente o mais indicado para ser o projetista desta etapa. A operacionalização de cavas exige um profundo conhecimento em seleção de métodos de lavra, seleção de equipamentos de mineração e habilidade com ferramentas computacionais de design de mina em 3D. Todas estas habilidades combinadas permitem que o projetista aplique as premissas geotécnicas do projeto como altura de bancadas, largura de bermas, ângulo de face e ângulo geral de taludes. Estas premissas são representadas por linhas de pé e crista, que são combinadas com os acessos principais, em conformidade com os equipamentos selecionados para a lavra.

Os procedimentos de operacionalização podem ser aplicados para geometrias de lavra de longo prazo (cava de exaustão) ou após o sequenciamento de lavra onde os cortes representam horizontes de tempo menores (5 anos, 2 anos, 1 ano e etc.). A operacionalização permite que todos os envolvidos no projeto conheçam mais detalhes das áreas de lavra e fornece condições para que várias decisões sejam tomadas e estudos sejam conduzidos até o início das operações de uma mina.

 

Edmo Rodovalho

Engenheiro de Minas, doutorado em Engenharia Mineral pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, mestrado em Engenharia Mineral pela Universidade Federal de Ouro Preto. Desenvolveu sua carreira em projetos de grande porte, com operações de lavra a céu aberto em diversos métodos e para diversos bens minerais. Possui ampla experiência como gestor da área de planejamento de lavra em multinacionais da área de mineração e siderurgia. Atualmente é professor adjunto na Universidade Federal de Alfenas, onde atua nas áreas de Planejamento de lavra, geoestatística, simulação e modelamento matemático aplicados à mineração e operação de mina.

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