O protagonismo do planejamento de lavra nos projetos de mineração do século XXI

por Edmo Rodovalho em 09/Oct/2017
O protagonismo do planejamento de lavra nos projetos de mineração do século XXI

Edmo C. Rodovalho

As demandas da sociedade contemporânea ainda mantem padrões de consumo semelhante às últimas décadas do século XX. O desenvolvimento tecnológico e a sofisticação dos hábitos de consumo não afastou a necessidade por bens minerais. Avaliando indicadores do comércio internacional de bens minerais, a demanda ainda possui tendência de crescimento no longo prazo. O que demonstra a atuação da indústria mineral como principal apoio à indústria de base, construção civil e outros segmentos industriais chave para as principais economias mundiais no século XXI. No entanto, com a predominância dos efeitos do final do superciclo das commodities minerais existe a redução dos valores negociados mundialmente. No primeiro semestre de 2016, observou-se a redução do índice de produção mineral (IPM) em 3,7% em relação ao período anterior (DNPM, 2016). Frente à redução dos preços, a indústria de mineração brasileira adotou o aumento do volume de produção. Segundo relatórios oficiais, em 2016 o aumento na produção de minério de ferro no Brasil foi de 5,7%. Esta estratégia busca absorver a variação dos preços através da revisão da escala de produção. Trata-se de uma ação recorrente em outros países exportadores de bens minerais e que envolve uma profunda reavaliação de projetos de mineração, além de revisões de planos estratégicos de lavra.

Paralelo ao cenário econômico internacional, a indústria de mineração Brasileira, em especial, atravessa um momento de grandes questionamentos por parte da sociedade. Trata-se de uma grande oportunidade de reavaliação de métodos, conceitos e procedimentos adotados na indústria de mineração. Sem uma devida atenção às comunidades nas quais a mineração atua, o desenvolvimento de novos projetos assume o risco de paralização. O relacionamento da sociedade com a indústria de mineração, no século XXI, não abre mão de segurança nas operações, sustentabilidade e previsibilidade dos projetos. Estas premissas implicam em novos padrões de custos para os projetos, que por sua vez, necessitam de novas ferramentas de controle e gestão deste parâmetro. Como ferramenta chave, para o enfrentamento dos novos desafios da indústria de mineração, está o planejamento de lavra.

Análise de planos estratégicos de lavra via avaliação das nested pits – Minerais metálicos

Na atualidade, novos negócios de mineração necessitam de inserção em cadeias globais de valor. Ao redor do mundo, especialmente no Brasil, não é possível conduzir novos projetos de mineração nos mesmos moldes praticados a 30 ou 40 anos atrás. Minas de classe mundial, voltadas para o mercado internacional, devem necessariamente atender a uma série de protocolos de qualidade, segurança, governança, eficiência das operações, reserva e recursos minerais. Além disso, outro aspecto básico das cadeias de valor é o forte controle dos custos, tanto de capital quanto operacionais. Projetos de mineração compatíveis com as respectivas operações e planos de lavra aderentes e exequíveis no âmbito técnico e econômico permeiam toda a cadeia de valor.

Operações de mina adaptados ao sistema truckless

O fim do superciclo, na verdade, marca o início de uma nova forma de se investir em mineração. Para ilustrar esta tendência, podemos citar o projeto de S11D da Vale S.A., que, em pleno declínio do preço do minério de ferro, conduz um projeto totalmente inovador para a mineração em superfície. Entre as principais características deste projeto cita-se a redução de emissões de gases do efeito estufa nas operações de lavra, baixos custos operacionais, alto grau de mecanização e um massivo investimento em sistemas de gestão de projetos. Esta sinergia com as cadeias globais de valor não é atribuído apenas ao projeto que ilustra o exemplo, é uma necessidade dos novos projetos de mineração do século XXI. O efetivo controle na geração e gestão dos dados operacionais, associado ao banco de dados geológico, topográfico e de processos faz parte do chamado big data. Como o próprio nome já alude, este grande banco de dados promove um novo processo de tomada de decisões, e, por consequência, exige elevados padrões de confiabilidade para os planos de lavra.

Operacionalização e definição de geometria final de lavra - projetos de mineração de grande porte para minerais metálicos

Apoiado nesta nova dimensão das técnicas de planejamento de lavra, frente aos projetos de mineração atuais, é fundamental conhecer os conceitos, estado da arte e inovações na área de planejamento de lavra. Os profissionais dedicados à projetos de mineração, gestão de operações mineiras e planejamento de lavra necessitam de atualização frequente visto que novas práticas vem sendo implementadas na indústria com grande velocidade nos últimos anos. Em médio prazo até mesmo empreendimentos de médio e pequeno porte necessitam implementar novos procedimentos ligados ao planejamento de lavra. Este esforço traz possibilidade de conhecer capacidades produtivas com assertividade, geometrias de lavra e a dinâmica de equipamentos necessários para executar a lavra. Todos estes fatores são variáveis decisivas na composição de custos e receitas do empreendimento. A previsibilidade da produção em médio e longo prazo pode ser decisiva para o acesso a novos mercados. Além de todas estas possibilidades, o domínio de ferramentas de planejamento de lavra abre caminho para conhecer e simular geometrias de projeto capazes de tornar as operações mais seguras e com menores impactos ao meio-ambiente. Há algumas décadas esta seria uma vantagem técnica, mas na mineração do século XXI é inconcebível projetos sem previsibilidade, segurança, eficiência operacional e sustentabilidade.

Autor:

Engenheiro de Minas, doutorado em Engenharia Mineral pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, mestrado em Engenharia Mineral pela Universidade Federal de Ouro Preto. Desenvolveu sua carreira em projetos de grande porte, com operações de lavra a céu aberto em diversos métodos e para diversos bens minerais. Possui ampla experiência como gestor da área de planejamento de lavra em multinacionais da área de mineração e siderurgia. Atualmente é professor adjunto na Universidade Federal de Alfenas, onde atua nas áreas de Planejamento de lavra, geoestatística, simulação e modelamento matemático aplicados à mineração e operação de mina.


Edmo Rodovalho

Engenheiro de Minas, doutorado em Engenharia Mineral pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, mestrado em Engenharia Mineral pela Universidade Federal de Ouro Preto. Desenvolveu sua carreira em projetos de grande porte, com operações de lavra a céu aberto em diversos métodos e para diversos bens minerais. Possui ampla experiência como gestor da área de planejamento de lavra em multinacionais da área de mineração e siderurgia. Atualmente é professor adjunto na Universidade Federal de Alfenas, onde atua nas áreas de Planejamento de lavra, geoestatística, simulação e modelamento matemático aplicados à mineração e operação de mina.

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