O passo a passo para a construção de um fluxograma de preparação física

por Marcela Tainã em 08/May/2019
O passo a passo para a construção de um fluxograma de preparação física

O processo de preparação física em um laboratório é o método de garantir a geração de amostras corretas, imparciais, precisas e confiáveis.

Conceitualmente o lote no laboratório pode ser completamente manuseado, assim o processo de amostragem pode ocorrer por divisão de massa.

No laboratório é onde realmente nascem as amostras da geologia, a amostragem nessa fase consiste em estágios progressivos de cominuição, homogeneização e redução de massa representativa do lote original para produzir sub-amostras representativas.

Diante disso, para a construção do fluxograma de preparação física é necessário definir as etapas que estarão envolvidas no processo desde o recebimento das amostras até a entrega da alíquota no laboratório analítico.

O passo a passo para a construção de qualquer fluxograma passa pelas seguintes etapas:

  1. Recebimento de amostra
  2. Pesagem
  3. Secagem
  4. Pesagem
  5. Peneiramento
  6. 1ª etapa de Cominuição
  7. Homogeneização
  8. Divisão
  9. 2ª etapa de Cominuição
  10. Homogeneização
  11. Divisão
  12. Pulverização
  13. Homogeneização
  14. Divisão

É muito importante ter uma etapa de validação no recebimento das amostras para verificar possíveis trocas antes do início do processo (tais como trocas de etiquetas).

A etapa de pesagem também é importante para identificação de trocas e controle de perdas. Durante o processo de preparação física é necessário verificar as perdas nos processos de cominuição, principalmente na britagem.

O processo de secagem é fundamental para que o processo de divisão seja eficiente. Porém a temperatura de secagem deve ser bem controlada. Para matrizes que possuem Hg, S e As e deseja-se quantificar estes elementos, a temperatura de secagem deve, por vezes, ser no máximo 60ºC. Para matrizes que não apresentam elementos voláteis em sua constituição, a temperatura, geralmente, não deve exceder a 105ºC.

As etapas de cominuição depende da granulação inicial do material e dos equipamentos disponíveis no laboratório, mas normalmente seguem a ordem de:

  • Britagem;
  • Homogeneização e quarteamento primário;
  • Pulverização;
  • Homogeneização e quarteamento secundário.

A etapa de pulverização deve ter o tempo bem controlado, pois pode gerar mudanças significativas no material, em razão do processo natural de contaminação intrínseco ao processo devido ao desgaste natural do moinho.

Na etapa de homogeneização e divisão o recomendável é a utilização de equipamentos tais como rifle e/ou carrossel. Porém também é possível utilizar outros métodos como cruzeta e pilhas. O tipo de processo deve estar claramente definido no fluxograma.

Há outros processos que são inseridos no fluxograma quando necessários, em razão das características das amostras, tais como:

  • Desaglomeração;
  • Escrubagem;
  • Peneiramento.

Outro aspecto muito importante de ser definido no fluxograma são as frações que serão geradas em cada etapa de cominuição, homogeneização e divisão. Não é recomendável a fixação de massas, mas sim, trabalhar com frações. Vide exemplos a seguir:

Não é indicada a definição das massas devido à variabilidade envolvida no próprio processo, o correto é definir o fluxograma em frações do total que são facilmente entendidas pelos operadores do laboratório devido às próprias características dos divisores.

É fundamental estar definido no fluxograma as etapas que irão gerar duplicatas e essas duplicatas devem ter a mesma fração da amostra que irá seguir o processo.

A preparação física apresenta diversas variáveis e diversas ferramentas de controle que devem ser utilizadas, a maioria relaciona-se a controle de massa (pesagens) e granulação do material (controle de granulometria através no peneiramento).

A inserção de cada etapa no processo de preparação física deve ser cuidadosamente definida (e avaliada a real necessidade), uma vez que cada etapa inserida agrega um erro ao processo.

Os fluxogramas de preparação são específicos para cada material e devem ser sempre elaborados de forma a manter a representatividade da amostra inicial até a amostra pulverizada final que será utilizada. Ferramentas de controle sempre devem ser inseridas e o processo deve ser constantemente monitorado e avaliado.

Marcela Tainã

Membro do Australian Institute of Geoscientists AIG. Bacharel em Geologia (USP), é especialista em Amostragem, QA/QC e Avaliação de Recursos. Participou como CP/ QP e implementação de programas de QA/QC (Quality Assurance and Quality Control) em projetos de grandes players nacionais. Vasta experiência também em modelamento geológico e Geometalurgia.

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