Minério de Ferro supera marca de US$ 80

por Gustavo Cruz em 30/Nov/2016
Minério de Ferro supera marca de US$ 80

 

A demanda maior pelo produto na indústria siderúrgica, uma demonstração de disciplina de oferta pelas mineradoras e a especulação financeira atuando como combustível desses fatores levaram o minério de ferro acima dos US$ 80 por tonelada pela primeira vez desde setembro de 2014. Ontem, a commodity com teor de 62% fechou cotada em US$ 80,83 no porto chinês de Qingdao, segundo a “Metal Bulletin” ­ maior nível em 2016 e em mais de 26 meses.

Para Carsten Menke, analista do banco suíço Julius Baer, apesar de essa cotação parecer insustentável, dada a pressão atual do excesso de oferta, o nível pode permanece alto por mais tempo do que se pensava. Ao Valor, Menke lembrou que o período sazonalmente mais fraco para a produção de aço na China já se iniciou, mas no início do ano a oferta também fica comprometida, por conta de questões climáticas no Brasil e na Austrália.

“Temos esses problemas de fornecimento todo início de ano. Isso pode prolongar a força do minério até por volta do fim do primeiro trimestre até começo do segundo de 2017″, disse. “Mas ainda estou convencido de que estruturalmente o cenário é pior para a produção de aço na China e, consequentemente, para a demanda por minério.”

A estimativa do banco é de US$ 65 por tonelada para a commodity nos próximos três meses. Em um horizonte de 12 meses, a expectativa é de US$ 50. Em relatório, o J.P. Morgan revelou na semana passada previsão de US$ 54 para a média do ano que vem. Analistas consultados pelo Valor calculam algo próximo a US$ 55.

“Alguns fatores contribuem com a alta, como a desvalorização do yuan [frente ao real], a perspectiva melhor para o setor como um todo, de consumo futuro mundial, mas uma das coisas que mais pesam é a decisão das grandes empresas de não colocar todo o volume disponível no mercado”, afirma um especialista na área, que não quis se identificar. Ele cita, por exemplo, a curva de aprendizagem mais demorada de Roy Hill e Pilbara, na Austrália, além do próprio S11D, da Vale, cujo pico agora é esperado para 2019.

Em 2016, o minério já saltou 85,5%. Só no quarto trimestre até agora, a média de preços atingiu US$ 64,70, 30% acima do observado nos mesmos dias do ano passado. Se a Vale influenciou a tendência decidindo ser mais cautelosa no fornecimento, vai se beneficiar da valorização diretamente: em reais, a cotação média ultrapassa os R$ 200, ante R$ 190 em 2015. O ganho potencial na receita da empresa é de quase R$ 1 bilhão no trimestre.

Outra matéria­prima do aço que também subiu bastante recentemente, o carvão metalúrgico pode reforçar também o balanço da mineradora. O insumo chegou a cerca de US$ 320 por tonelada, ante US$ 80 no ano passado. Em reais, a diferença é de R$ 700, e em termos de faturamento, de quase R$ 1,5 bilhão.

É importante notar, contudo, que o preço médio das duas commodities vendidas pela Vale depende de outros fatores, como a média de concentração do material vendido e quanto foi comercializado no período ao preço à vista. Analistas esperam, porém, um trimestre de crescimento.

O carvão, indiretamente, também ajudou a impulsionar o minério. Para tentar se safar dessa inflação de custos, as usinas passaram a procurar insumo de melhor qualidade, tanto que o prêmio do produto com teor de 65% sobre o de 62%, que é a referência, foi de US$ 4 a US$ 14 em menos de seis meses, prevendo maior eficiência na produção.

“Isso até ajuda a tirar mineradoras chinesas [de maior custo] do sistema, mas por enquanto acreditamos que o movimento, em geral, é de curto prazo”, comenta Felipe Beraldi, da Tendências Consultoria. “O que pode acontecer, se for esticado demais o prêmio, é que as siderúrgicas passem a achar mais interessante usar o minério por mesmo, ou o custo subirá demais”, acrescenta. O analista vê a commodity chegando próximo a US$ 50 no segundo semestre do ano que vem.

Fonte: Portos e Navios /  Valor Econômico

Gustavo Cruz

Gustavo é Mercadólogo, tem pós-graduação (MBA) em Comunicação e Marketing pelo BI International/Faculdade Arnaldo, bacharelado em Teoria Literária pela Universidade Federal de Ouro Preto e tem formação técnica pelo CEFET MG. Está no mercado desenvolvendo produtos, negócios, comunicação e comércio em ambientes digitais desde 2009, atuando principalmente nos setores de mineração e serviços de consultoria.
Em 2014 fundou o Instituto Minere onde é diretor executivo. É desenvolvedor de novos produtos e empreendimentos, consultor em comunicação, negócios, planejamento empresarial estratégico e de marketing. Especialista em ferramentas de publicidade e comunicação na internet.

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