InSar como método eficaz no monitoramento geotécnico.

por João Paulo em 19/Apr/2021
InSar como método eficaz no monitoramento geotécnico.

Apesar de ser pouco popular, o InSAR é uma tecnologia muito útil para a geotecnia

Quando falamos de InSAR, muitos geotécnicos ainda desconhecem ou ainda não utilizam esta valiosa ferramenta que pode ser amplamente aplicada à geotecnia. Tal ferramenta de monitoramento é muito eficaz para detectar e monitorar movimentos de longo prazo da superfície terrestre. Além disso, essa técnica é capaz de oferecer um quadro completo das estruturas e complementar as medidas padrão e discretas fornecidas pelos equipamentos geotécnicos tradicionais. No entanto, muitos devem estar se perguntando: o que afinal é InSAR?

InSAR é uma tecnologia que emprega a técnica de interferometria em imagens obtidas por satélites. A sigla é oriunda do termo em inglês interferometria por radar de abertura sintética (Synthetic Aperture Radar Interferometry). Logo, o radar de abertura sintética é uma técnica de geração de imagens que se vale do movimento do satélite para, com isso, sintetizar o efeito de uma antena com abertura maior do que a real e obter uma melhor resolução. 

Já a interferometria é a ciência aplicada ao estudo e medição da interferência de ondas. Isso significa que a técnica utiliza o fenômeno de interferência de duas ondas eletromagnéticas para medir distâncias através da diferença de fase dessas ondas. A diferença de fase é devida, na maior parte, à diferença na distância percorrida por cada onda. 

Portanto, as distâncias medidas pelo radar têm sensibilidade da ordem de frações do comprimento de onda utilizado, chegando a ter precisão milimétrica em movimentos na superfície terrestre. Além disso, as diferenças na distância percorrida podem ser invertidas para se obter medidas de elevações ou de deslocamentos. Logo, tais dados podem prover informações precisas e de alto valor agregado destacando potenciais riscos, permitindo uma tomada de decisão adequada. 

Como vantagem do método, tem-se que a metodologia emprega comprimento de onda dentro do espectro de micro ondas, permitindo assim atravessar nuvens e tempestades, funcionando, portanto, independente das condições atmosféricas. Além disso, por empregar diferentes comprimentos de onda, o método permite transpor vegetação e obter informações relativas à umidade do solo em determinadas profundidades. No entanto, para que tal beneficio seja adquirido, é de suma importância que vários comprimentos de onda sejam analisados. A Tabela 1 apresenta de forma ilustrativa a correlação entre o comprimento de ondas no espectro de micro ondas e as aplicações relacionadas.

Banda Comprimento de Onda (cm) Frequência (GHz) Algumas aplicações
P 100 – 30 0,3 – 1 Arqueologia e corpos subterrâneos
L 30 – 15 1 – 2 Superfície do solo – umidade do solo
S 15 – 7,5 2 – 4
C 7,5 – 3,8 4 – 8 Vegetação
X 3,8 – 2,4 8 – 12,5 Cobertura e falta de cobertura no solo
Ku 2,4 – 1,67 12,5 – 18 Movimentações do solo
K 1,67 – 1,18 18 – 26,5 Medidas de intervalo muito curto
Ka 1,18 – 0,75 26,5 – 40
Tabela 1 – Exemplos de aplicações de micro ondas no sensoriamento remoto. Fonte: Balamis (2020).

Como exemplo de aplicação de tal metodologia para a determinação de movimentos de massa de longo prazo pode-se citar o site norueguês InSAR Norway que apresenta uma série de dados InSAR ao longo do tempo.


Figura 1 – Dados de Monitoramento por InSAR na Noruega. Fonte: InSAR Norway

Figura 2 – Dados de Monitoramento por InSAR na Noruega. FonteInSAR Norway

 

Fonte: Saff Engenharia. 

 

 

João Paulo

Engenheiro de Minas Geotécnico (UFMG) com especialização em Geotecnia (UniCid) e Gerenciamento de Projetos (PUC-MG), Mestre em Civil Engineering & Management (University of Glasgow) e MBA em Finanças (IBMEC). Background em mineração e obras de infraestrutura. Ampla experiência em operação e projetos de barragens de rejeito, pilhas de estéril, trabalhos geotécnicos e geotecnia de mina. Também possui experiência em avaliações de estruturas geotécnicas, “piping” e liquefação, implementação de sistemas de monitoramento e instrumentação e aplicação de metodologias alternativas para avaliação de estruturas críticas

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