Geotecnia de Mina: Custo ou Investimento?

por Leonnardo Probst Simões em 31/Jul/2020
Geotecnia de Mina: Custo ou Investimento?

Durante minha carreira profissional deparei com diversas situações onde esta questão foi levantada e se trata de um dilema recorrente com todos os profissionais da área com quem converso. A resposta parece óbvia de que se trata de investimento, então porque ainda temos que frequentemente ter que justificar de maneira quase que exaustiva a necessidade de se investir em geotecnia?

A resposta desta questão não é simples, em minha opinião ela se passa pelo modelo de negócios que a indústria de mineração mundialmente foi baseada. Geralmente minas de altíssimo teor, com a relação estéril minério muito baixo e em áreas remotas com baixa densidade populacional no seu entorno. Neste cenário os custos operacionais se tornam muito baixos, os lucros são maiores e os riscos menores. Isto tornou gerenciável o risco geotécnico de uma ruptura de um talude de uma mina, pois as consequências destas rupturas geralmente não traziam grandes impactos na produção.

Porém este modelo está cada vez mais difícil de se sustentar, pois as jazidas de altíssimo teor vão se exaurindo, descobertas com estas características ficam cada vez mais raras, as comunidades ao redor das minas se desenvolveram e são cada vez maiores, exigências ambientais cada vez mais restritiva e surge também a necessidade de uma destinação da área minerada para um uso futuro.

Neste contexto, de mudança de paradigma, a geotecnia de mina ganha importância, pois os riscos associados a um problema geotécnico, antes baixos passam a ser maiores e por isto precisam ser mais bem gerenciados. Mesmo assim neste novo contexto muitas vezes é difícil justificar tal investimento, mas por quê? A resposta mais uma vez não é simples. Talvez ela passe pelo fato de que o retorno de investimento em geotecnia não seja tão visível no curto prazo e sim mais a médio e longo prazo. Investimentos feitos em geotecnia geralmente levam de 5 a 20 anos para serem observados.

Por este motivo as empresas devem ter políticas claras sobre tal tema, estruturar de maneira adequada seu quadro de profissionais, garantir recursos necessários para tais investimento, ter procedimentos geotécnicos bem definidos e criar mecanismos de controle eficientes de seus procedimentos e de suas políticas geotécnicas.

O profissional de geotecnia deve estar atento a estas necessidades, entender a importância do seu papel no processo produtivo e contribuir de maneira significativa para a sustentabilidade do negócio.  

Leonnardo Probst Simões

Geólogo formado pela Universidade Federal de Ouro Preto em 2003. Possui mais de 15 anos de experiência trabalhando com o geotécnico focado no mercado de mineração e hidroenergia. Atuou em empresas de consultoria em projetos de cavas, barragens de rejeito e pilhas de estéril em diversas fases de projetos. Possui também grande experiência em empresas de mineração de grande porte, tanto em cavas de céu aberto quanto em minas subterrâneas. Trabalhando no design de novos projetos, monitoramento das estruturas geotécnicas, dimensionamento e controle de qualidade dos sistemas de suporte.  Atualmente trabalha na GroundProbe Brasil como Engenheiro Geotécnico para prover treinamento, suporte e consultoria aos clientes.

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