Geofísica na Pesquisa Mineral

por Thiago Madeira em 04/Nov/2019
Geofísica na Pesquisa Mineral

O rápido avanço dos instrumentos geofísicos nas décadas recentes tem transformado em igual velocidade a pesquisa mineral, tornando possível a identificação de potenciais corpos de minério sem o longo processo de exploração terrestre – que demanda muitos meses e tem um custo relativamente elevado. Atualmente, um número considerável de métodos geofísicos está disponível para levantamentos e com a finalidade de avaliação rápida de extensas áreas durante os trabalhos de prospecção e exploração mineral.

Com o desenvolvimento no processamento dos dados geofísicos, fazendo-se uso de técnicas de inversão/estimativa de profundidade, é possível determinar com boa assertividade a extensão lateral e profundidade de anomalias de interesse. Esses avanços têm evitado custos elevados e desnecessários, e que muitas vezes deparam com a inviabilidade da implantação de um empreendimento que não garantirá retorno. Para isso os métodos devem ser adequadamente aplicados, sendo escolhidos e tendo seus levantamentos planejados de forma correta e coerente com a geologia e as variações locais das propriedades físicas.

A geofísica e seus artifícios têm possibilitado o aumento na assertividade nos programas de perfuração de rocha, diminuindo drasticamente custos e trazendo luz a delineação de corpos e estruturas mineralizadas. A partir do instante em que uma concentração ou ocorrência do material-mineral de interesse apresenta economicidade intrínseca, e volume suficiente para custear toda a extração, suas propriedades físicas e químicas vão sendo bem conhecidas e quantificadas. Com a evolução desse cenário, a geofísica se torna cada vez mais útil e competente, possibilitando o descarte de métodos ineficientes e o incremento dos métodos mais eficientes.

Durante a fase de declaração de recursos, o uso da geofísica tem possibilitado planejar com acurácia tanto furos positivos quanto furos negativos, essenciais durante essa etapa da pesquisa mineral. Na fase de implementação de uma mina e durante sua operação, os métodos de perfilagem geofísica tem trazido grandes vantagens, por exemplo com a determinação precisa das profundidades de contatos e estruturas geológicas, dada a ineficiência das recuperações totais da rocha durante as perfurações. O conhecimento preciso das profundidades de contatos e estruturas geológicas trazem implicações relevantes para determinação de zonas mineralizadas e levantamento de parâmetros geomecânicos.

Paralelamente a prospecção e delineação de corpos e estruturas de interesse na pesquisa mineral, a geofísica tem sido um grande recurso na definição de áreas para barramentos e pilhas de estéril e rejeito, e durante o monitoramento do comportamento dessas obras de terra – que sofrem devido as variações climáticas sazonais, além das modificações intrínsecas a evolução dessas construções. Ainda, nas etapas que seguem o ciclo de vida de um empreendimento mineiro, a geofísica tem dado grande suporte ao monitoramento ambiental.

Em suma, a geofísica tem se tornado ferramenta obrigatória em trabalhos de pesquisa mineral e na mineração como um todo. Se utilizada de forma consciente e coerente, a geofísica certamente trará um grande retorno ao empreendimento minerário. Para isso, é fundamental uma interpretação coerente com a geologia e o entendimento de suas limitações.


Thiago Madeira

Engenheiro Geólogo formado pela Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto – EM/UFOP, com a monografia “Análise Qualitativa e Quantitativa Geológica-Geofísica para Prospecção de Ouro no Nordeste do Quadrilátero Ferrífero”. Mestre em Ciências Naturais na área de concentração Tectônica / Petrogênese / Recursos Minerais pela EM/UFOP, com a dissertação “Análise Geofísica e Estrutural da Zona de Cisalhamento São Vicente, Quadrilátero Ferrífero, MG, Brasil”. Atuou como geólogo de exploração em commodities de ouro, metais base e ferro, como geólogo de mina a céu aberto e subterrânea de ouro. Lecionou as disciplinas de Prospecção Geofísica e Interpretação Geofísica pelo Departamento de Geologia da EM/UFOP, além de ter ministrado cursos práticos de Integração e Interpretação de dados SRTM, Geofísicos e Geológicos em entidades como a Society of Economic Geologists e Society of Geophysists Exploration.

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