Erros mais comuns em um laboratório de mineração

por Marcela Tainã em 09/Jan/2020
Erros mais comuns em um laboratório de mineração

Quando estamos estruturando o programa de QAQC, é fundamental durante o QA já saber quais os problemas mais comuns dos nossos processos a fim de inserir as ferramentas corretas para evitá-los utilizando o QC.

A seguir estão listados alguns dos erros mais comuns em um laboratório de mineração e algumas formas de evitá-los:

Troca de Amostra

  • Controle de rastreabilidade por código de barras;
  • Estabelecer formas de marcação de amostras no processo analítico quando não é possível o uso do código de barras, como, por exemplo, em etapas de digestão;
  • Estabelecer uma linha de produção bem definida;
  • Checagem de pesos em etapas intermediarias do processo de cominuição.

Contaminação

Pode ocorrer no processo de preparação física e análise.

  • Uso de ar comprimido para limpeza dos equipamentos e, se ainda necessário, utilização de brancos de limpeza em todas as etapas de cominuição, homogeneização e quarteamento;
  • Manter as estações de trabalhos limpas;
  • Utilização de sistemas de exaustão adequados de forma a minimizar a presença de particulados no ambiente;
  • Manter vidrarias, cadinhos, espátulas, etc. do laboratório limpos;
  • Realizar sempre a limpeza dos sistemas de introdução dos equipamentos de leitura entre uma amostra e outra;
  • Utilizar a ferramenta branco de preparação para monitorar o processo.

Amostragem/Representatividade da amostra

Seleção de métodos de preparação física inadequados ao tipo de amostra -rochas, minérios, solos e sedimentos, etc.- podem gerar alíquotas para análise que não são representativas para a amostra coletada; no caso de amostras de ouro que apresentam o efeito “pepita” como característica, buscar procedimentos capazes de minimizar tal efeito.

  • Secar as amostras antes de dividi-las em “sub-amostras”;
  • Utilizar divisores de maneira correta e utilizar preferencialmente divisores rotativos (carrossel);
  • Definir quais frações de massa serão retiradas em cada etapa de divisão.
  • Utilizar a ferramenta de controle Duplicatas para avaliar a variabilidade de cada etapa e caso necessário rever as frações utilizadas.

Decomposição da amostra

Seleção de métodos de decomposição inadequados ao tipo de amostra/elemento e aplicação ao interesse desejado.

  • Estudar previamente a mineralogia;
  • Estudar previamente os elementos que podem ser interferentes nos elementos de interesse;
  • Definir previamente a existência de elementos voláteis ou que se precipitam em determinados métodos de abertura;.
  • Sempre ter em mente que todos os métodos tem limitações e que várias vezes haverá a necessidade de utilizá-los combinados.
  • Utilizar a replicação de amostras (replicata) como ferramenta de controle para avaliação da variabilidade.

Curvas de Calibração

Uso de padrões inadequados ou fora do prazo de validade na construção de curvas de calibração; construção de curvas de calibração que não abrangem todo o range desejado; problemas de linearidade nas curvas de calibração.

  •  Selecionar padrões adequados e que cubram todo o range desejado.

Pesagem

Utilização de balanças descalibradas, desniveladas ou locais inadequados.

  • Selecionar o local onde colocar a balança. As balanças devem estar em bancadas estáveis e niveladas;
  • Utilizar procedimento de verificação das balanças. As balanças devem ser aferidas internamente e, quando necessário, solicitar a aferição e/ou calibração externamente por órgãos capacitados. Internamente, deve-se utilizar o monitoramento frente das balanças (diário preferivelmente) gerando registro de dados de controle de QCs através do uso de pesos padrões nas faixas de trabalho pré-definidas.
  • Manter os pesos padrão em caixas que os preservem de possíveis interações com o meio (ex=oxidação) que poderiam alterar suas características/massa.

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Marcela Tainã

Membro do Australian Institute of Geoscientists AIG. Bacharel em Geologia (USP), é especialista em Amostragem, QA/QC e Avaliação de Recursos. Participou como CP/ QP e implementação de programas de QA/QC (Quality Assurance and Quality Control) em projetos de grandes players nacionais. Vasta experiência também em modelamento geológico e Geometalurgia.

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