Administrador, Usuários e Coletores: diferentes entendimentos de um mesmo banco de dados geológicos

por Instituto Minere em 08/Jan/2019
Administrador, Usuários e Coletores: diferentes entendimentos de um mesmo banco de dados geológicos

Banco de dados geológicos deveria ser tratado como um dos bens mais valiosos que as empresas de exploração mineral e mineração poderiam possuir por ser o registro direto do alto investimento realizado para se caracterizar uma área, porém boa parte dos geólogos tendem a dar mais importância aos métodos geoestatísticos para estimativa de recursos minerais do que para a própria fonte de dados que alimenta seu trabalho. Assuntos como QAQC, modelagem geológica, geoestatística e classificação de recursos minerais são exaustivamente discutidos em fóruns geológicos e apresentam-se em uma infinidade de cursos e treinamentos em todo mundo, no entanto o banco de dados, que suporta todos esses temas, é pouco ou quase nada difundido no mercado, mas é sem dúvida um dos calcanhares de Aquiles da cadeia mineral. Nesse caso, os fins não justificam os meios e muito menos o início.

A experiência mostra que é muito provável, ou quase certa, a presença de inconsistências em bancos de dados geológicos, sejam eles por pertencerem a prospectos muito antigos que não tinham softwares especializados e até mesmo sem padronização na linguagem do projeto, ou simplesmente porque há uma falta de entendimento dos processos e ferramentas que existem por trás desse patrimônio. Ademais, pelo fato de que a própria equipe técnica não dá o devido valor ao banco de dados, a alta gerência, desconhecendo o assunto, pouco exige e investe para mudar tal situação.

Outro ponto de atenção que contribui para falhas em banco de dados geológicos é a confusão instituída pelas diferentes equipes na hora de desenhar o modelo de dados, cujas visões são baseadas em suas tarefas periódicas, mas que não são convenientes na construção do banco:

Os Coletores:

As equipes de coleta de dados, os Coletores, geralmente formadas por geólogos juniores e técnicos, entendem que o banco de dados funciona como uma tabela de armazenagem de informação, mas que não os ajudam no seu dia a dia por ser muito restritiva. A ideia de facilitar a manipulação e flexibilizar essas tabelas para as atividades periódicas tende a misturar registros de natureza diferente e/ou perder-se a rastreabilidade das mudanças, causando grande transtorno para os Usuários dos dados.

Os Usuários:

Por outro lado, os Usuários de dados, geralmente geólogos mais seniores, modeladores, geoestatísticos de longo e curto prazos, vislumbram o banco de dados como planilhas organizadas por fonte de dados validados, cujas entradas devem ser idênticas às saídas, em outras palavras, a coleta e armazenagem dos dados devem ser tal e qual os arquivos de saída que utilizam nos softwares de análise tridimensional ou geoestatísticos.

O Administrador:

Administrador de banco de dados é uma figura considerada nebulosa para a organização, pois não é percebido como um funcionário de TI, nem como um funcionário da área de Geologia, ficando assim desprovido de respaldo de sua gerência. Quando a situação acima não ocorre, isto é, quando o Administrador é visto como um geólogo, esse é prontamente desviado de sua função para executar outras atividades, deixando o gerenciamento do banco desguarnecido. Ou ainda, quando o profissional destinado à administração do banco não é um geólogo, este não tem autonomia para efetuar mudanças às tabelas e listas de referência, sem recorrer às áreas pertinentes que, por sua vez, demoram a dar a resposta devido a outras demandas, tornando morosas as ações de solução aos possíveis problemas no banco. Uma terceira situação é bastante comum para o Administrador de banco de dados, quando ele não é geólogo, mas um profissional ligado à área de tecnologia, onde usualmente é requisitado a dar suporte técnico para outros assuntos que não o de administração do banco, deixando-o igualmente órfão de assistência.

Para uma organização que presa pela segurança e integridade dos dados geológicos, é altamente recomendável, para não dizer mandatório, que o Administrador que seja não somente um especialista no banco e no software de gerenciamento, mas que também tenha a administração do banco como sua função integral na corporação. Com apenas essa medida, as melhorias no sistema, protocolos e consequentemente na informação são notadamente percebidas pelos Usuários e Coletores. Para empresas que apresentam orçamento reduzido e/ou o Headcount congelado motivados pela situação instável do mercado de commodities, o Outsourcing de um Administrador especializado pode ser uma solução conveniente para perenizar a segurança e confiabilidade do processo de coleta, salvaguarda e uso dos dados geológicos.

Os Autores

Matheus Palmieri é Mestre em Geologia Econômica, professor do curso de Geologia no Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), consultor da GEOM3 e membro do Australasian Institute of Mining and Metallurgy (AusIMM)

Fernanda Nishiyama é geóloga especialista em banco de dados geológicos e consultora da GEOM3.

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