Por que desenvolver os critérios de risco geotécnico?

por João Paulo em 26/May/2021
Por que desenvolver os critérios de risco geotécnico?

É imprescindível que as minas compreendam a sujeição ao risco geotécnico e, dessa maneira, delimitar seus investimentos.

O desenvolvimento de critérios de risco permite identificar os itens (operacionais, técnicos, financeiros, sociais, legais, ambientais) contra os quais o risco geotécnico deve ser avaliado. Em uma mina, os riscos geotécnicos são principalmente riscos econômicos e de segurança.

É de extrema relevância gerir esses riscos. Os critérios de aceitabilidade para tais são variáveis. Já os critérios de risco econômico podem ser baseados nos resultados das análises de risco-retorno ou custo-benefício realizadas em cada estágio do projeto.

A Figura 1, de Whitman (1984), mostra que o “custo de uma vida” foi igualado a um milhão de dólares sem nenhuma emoção ou discussão adicional. Para a época, isso era considerado adequado. Por outro lado, hoje não atribuímos um custo à vida, mas olhamos para despesas de capital aceitas em vários países para salvar a vida de um cidadão potencialmente exposto a perigos para encontrar um “valor limite”.


Figura 1 – Dados de tolerância de Whitman de acidentes daquela época. Fonte: Oboni et al. (2020)

Assim, as curvas de risco toleráveis (como a expressa na Figura 2) são sempre específicas do projeto e do proprietário e indicam o nível de risco que foi considerado aceitável para um projeto ou operação específica (possivelmente levando em consideração, inclusive, a opinião pública). Isso significa, por exemplo, que dentro de grandes empresas a tolerância ao risco corporativo pode diferir substancialmente de uma operação para outra.

Outro ponto essencial de tolerância ao risco está associado à saúde financeira de uma organização. No caso de algumas indústrias isso se traduz em função do tempo. Na indústria de mineração, por exemplo, à medida que as reservas de minério se esgotam, a tolerância diminui porque a empresa tem menos reserva para proteger um problema, visto que a margem de segurança operacional diminui com o decorrer do tempo. Tal situação é claramente demonstrada na Figura 3.


Figura 2 – Critério de tolerância ANCOLD. Fonte: Oboni et al. (2020)
Figura 3 – Diminuição da tolerância ao risco em uma mina conforme as reservas se esgotam com o tempo. Fonte: Oboni et al. (2020)

 

Fonte: SAFF Engenharia 

João Paulo

Engenheiro de Minas Geotécnico (UFMG) com especialização em Geotecnia (UniCid) e Gerenciamento de Projetos (PUC-MG), Mestre em Civil Engineering & Management (University of Glasgow) e MBA em Finanças (IBMEC). Background em mineração e obras de infraestrutura. Ampla experiência em operação e projetos de barragens de rejeito, pilhas de estéril, trabalhos geotécnicos e geotecnia de mina. Também possui experiência em avaliações de estruturas geotécnicas, “piping” e liquefação, implementação de sistemas de monitoramento e instrumentação e aplicação de metodologias alternativas para avaliação de estruturas críticas

Deixe seu Comentário

Você também pode se interessar

© Instituto Minere

by nerit