Deficiências na Aplicação da Geofísica e suas Implicações

por Thiago Madeira em 06/Nov/2019
Deficiências na Aplicação da Geofísica e suas Implicações

O erro mais comum e que inviabiliza todo projeto de um levantamento geofísico, é a deficiência na elaboração de um plano de medição/levantamento dos dados. Alguns cuidados que devem ser tomados:

  • a escolha do(s) método(s) geofísico(s) a ser(em) aplicado(s), levando em consideração o que se busca observar e quais as propriedades físicas associadas ao alvo;
  • a localização do equipamento, sua orientação;
  • direcionar a busca no alvo: orientar e localizar as linhas de levantamento, além do espaçamento entre as linhas e entre as amostras sobre a linha (determinante na resolução dos dados).

Profissionais da área de geociências precisam estar efetivamente familiarizados com o uso da geofísica, mas frequentemente recebem pouco ou nenhum treinamento, levando a erros:

  1. Dependência excessiva de reconhecer padrões geológicos, muitas vezes apoiados em mapas sem procedência ou com extrapolações em demasia;
  2. Incapacidade de reconhecer a relação entre a geologia (química das rochas e constituição mineralógica) e a geofísica (propriedades físicas das rochas);
  3. Incompreensão das ambiguidades por trás de cada método;
  4. Interpretações erradas de artefatos/ruídos;
  5. Excesso na interpretação dos resultados, especialmente os modelos de inversão.

As implicações são obvias, com a perda de tempo e de força de trabalho, custos elevados ou desnecessários, levantamento de dados redundantes ou a total inutilização dos dados.

Mapas geológicos podem conter erros, muitas vezes devido a extrapolações de litotipos e estruturas, dada a inacessibilidade de uma determinada área. Ou pelos os altos custos das campanhas de mapeamento, que levam ao encurtamento das campanhas sem levar em consideração o tamanho das áreas.

A diferença básica e fundamental entre a geologia e a geofísica é que a geologia é um método direto, observamos e tocamos a rocha durante a descrição, e a geofísica é um método indireto, inferimos as fontes dos sinais/respostas geofísicas a partir das propriedades físicas medidas. As interpretações serão mais assertivas quanto mais conhecimentos obtivermos das rochas na superfície da Terra, e as propriedades físicas intrínsecas a cada rocha na área do levantamento.

Quando falamos em ambiguidades geofísicas, estamos tratando da relação entre a fonte e anomalia. Isso pode não parecer muito simples, mas há relações fundamentais entre as variações no conjunto de dados geofísicos e os contrastes de propriedades físicas que os causam. Profundidade, volume e intensidade da propriedade física do conjunto de rochas analisadas podem fazer variar uma anomalia geofísica. Entender essas relações tem implicações fundamentais no que o dado pode dizer a você, e o que ele realmente quer dizer.

Frequentemente há níveis significativos de ruído nos dados geofísicos. Ruídos podem ser geológicos (de interesse ou não ao levantamento) e não-geológicos (ambientais). Os ruídos podem ser:

  • fenômenos atmosféricos como vento, raio e relâmpagos;
  • fenômenos extraterrestres como vento solar, órbita da Lua e raios cósmicos;
  • e Fontes culturais (artefatos), como cercas, linhas de transmissão, construções (barragens, pilhas de rejeito), rodovias, condutos subterrâneos, transmissão EM via rádio-TV, barragens e pilhas de rejeito. A falha em reconhecer esses artefatos/ruídos nos resultados levará a interpretações incorretas.

A principal deficiência enfrentada pelos profissionais na aplicação da geofísica na pesquisa mineral é a interpretação, e encontrar um modelo geológico compatível com as anomalias geofísicas apresentadas. As interpretações têm como principal deficiência as ambiguidades dos métodos e o conhecimento dos princípios básicos de geologia. Conhecer as limitações de cada método é essencial para não exagerar nas interpretações. As ambiguidades podem ser contornadas com associação de mais de um método geofísico, e ou com perfuração de sondagem para testar e refinas o modelo geológico. Um diferencial para a interpretação são conhecimentos em Mineralogia, Petrografia, Pedologia e Geologia Estrutural, essas expertises contornam muitos dos problemas nas interpretações.


Thiago Madeira

Engenheiro Geólogo formado pela Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto – EM/UFOP, com a monografia “Análise Qualitativa e Quantitativa Geológica-Geofísica para Prospecção de Ouro no Nordeste do Quadrilátero Ferrífero”. Mestre em Ciências Naturais na área de concentração Tectônica / Petrogênese / Recursos Minerais pela EM/UFOP, com a dissertação “Análise Geofísica e Estrutural da Zona de Cisalhamento São Vicente, Quadrilátero Ferrífero, MG, Brasil”. Atuou como geólogo de exploração em commodities de ouro, metais base e ferro, como geólogo de mina a céu aberto e subterrânea de ouro. Lecionou as disciplinas de Prospecção Geofísica e Interpretação Geofísica pelo Departamento de Geologia da EM/UFOP, além de ter ministrado cursos práticos de Integração e Interpretação de dados SRTM, Geofísicos e Geológicos em entidades como a Society of Economic Geologists e Society of Geophysists Exploration.

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