Custos na Mineração: Quais são e qual a sua importância no estudo de viabilidade econômica?

por Wagner Araújo em 29/May/2020
Custos na Mineração: Quais são e qual a sua importância no estudo de viabilidade econômica?

Pode parecer clichê, mas a definição dos custos de um projeto de mineração, principalmente antes da implantação do mesmo é uma tarefa árdua. Não sendo crítico aos demais aspectos inerentes ao estudo de viabilidade econômica, mas o conhecimento dos custos depende primordialmente da experiência de quem está elaborando o projeto. Quantificar e qualificar tais custos é algo muito difícil se comparado a outros aspectos. Contudo, a determinação dos mesmos é preponderante para a avaliação no estudo de viabilidade econômica de um projeto, principalmente de mineração o qual apresenta grande variabilidade devido aos inúmeros tipos de bens minerais e seus respectivos métodos de aproveitamento.

Um importante aspecto a ser considerado é o conhecimento de outros projetos já implantados, uma vez que auxilia de forma direta no dimensionamento desses custos. Contudo, nem sempre o empreendedor estará nessa posição de conforto, sendo necessária uma verificação mais ampla de todo o fluxograma do projeto, tendo uma visão a priori ampla, para depois especificar cada etapa do processo, desde a etapa dos estudos iniciais até a entrega do produto final.

De forma didática inicialmente é importante classificarmos os custos para posteriormente avançar em uma discussão sobre análises de viabilidade do empreendimento, uma vez que esta é intrinsecamente influenciada pelos custos.

Custos Operacionais

Normalmente, os custos operacionais são as despesas ligadas ao funcionamento da explotação.

Tais custos podem ser classificados em três categorias:
• Custos diretos;
• Custos indiretos e;
• Custos gerais.

É possível estimar os custos de operação por analogia com outras minas, pelo menos em algumas operações, através de modelamento de certas etapas em função de parâmetros pertinentes e aplicação desses através de coeficientes admitidos ou também através da análise detalhada do projeto.

Destaca-se a seguir alguns parâmetros primordiais para a estimativa dos custos operacionais:
• Escala de produção nas variadas operações considerando os equipamentos utilizados, aspectos gerais da mina e o real aproveitamento frente à produção projetada;
• Custos unitários de mão-de-obra (encargos e salários);
• Verificação do método de lavra aplicado;
• Fluxograma no processo de beneficiamento.

Tais parâmetros nos permite acessar os custos diretos. Já para os custos indiretos e gerais, são usados percentuais dos diretos ou de elementos do investimento. Exemplo:
• Manutenção e reparos: 2 a 5% do custo de materiais;
• Custos indiretos: 10 a 30% dos custos diretos
• Custos gerais: 2% das vendas ou faturamento.

Custos diretos

Os custos diretos são diretamente proporcionais à quantidade produzida. Exemplo dessa afirmativa é o custo com mão de obra, pessoal diretamente ligado à operação e com materiais, energia, lubrificantes, reagentes químicos para tratamento, água, explosivos, corpos moedores, peças de reposição dentre outros, à medida que aumento a produção, consequentemente é necessário o aumento de tais custos.

Custos Indiretos

Já os custos indiretos independem da produção realizada, ou seja, os custos não variam com a oscilação da produção. Pode-se destacar como exemplos os custos com serviços administrativos, vigilância, almoxarifado, escritórios, seguros, taxas, juros, trabalhos gerais de preparação e de pesquisa, dentre outros.

Custos Gerais

Por fim existem os custos gerais como despesas com comercialização, serviços administrativos da central, serviços financeiros, dentre outros.

Como forma de melhor exemplificar e discriminar os principais custos na mineração, um estudo do CETEM destaca o seguinte:

Custos de Administração

Os custos de administração incluem todos os salários do pessoal de engenharia e de administração, material consumido, aluguéis de escritórios, luz, comunicações, despesas de viagem, treinamento de pessoal e seguros. Incluem ainda, despesas médicas e hospitalares, de educação e de recreação do pessoal.

Custos de Comercialização

Os custos de comercialização compreendem os salários dos pessoal de marketing e de vendas, despesas com viagem, despesas com propaganda e comissões de intermediários, sendo que estas últimas costumam ser expressivas para o caso das exportações.

Capital de Giro

O Capital de Giro pode ser uma importante parcela do capital total, necessário para um novo projeto. É importante estima-lo cuidadosamente, não só calculando sua componente inicial, mas também considerando os acréscimos necessários ao longo do tempo, principalmente quando são previstos aumentos futuros no nível das operações.

Custos da Produção

Os custos de produção devem ser detalhadamente estimados e desdobrados em seus principais componentes: pessoal, material, peças sobressalentes, impostos e taxas, energia elétrica, aluguéis, serviços contratados etc. Devem também ser listados separadamente por fase dos serviços: extração, transporte interno, beneficiamento do minério, estocagem, manuseio e carregamento. Convém ainda separar os custos de operação daqueles de manutenção, constituindo estes últimos, uma parcela significativa, ao contrário do que ocorre nas indústrias de transformação, em que tais custos são secundários. Os custos de pessoal devem incluir os acréscimos decorrentes da legislação trabalhista, de responsabilidade do empregador, bem como previsões para substituições de empregados em férias, acidentados, doentes, em repouso semanal etc. É importante pré-estabelecer quantos turnos de trabalho serão adotados. O consumo de materiais deve ser previsto por fase dos serviços, sendo os principais itens (reagentes, combustíveis, lubrificantes, correias transportadoras etc), indicados e especificados.

Custos de transporte

Este tipo de custo, depende exclusivamente do bem mineral a ser explotado e beneficiado, uma vem que, em alguns casos, a entrega ocorre na própria mina, onde o transporte passa a ser do próprio comprador. Exemplo são os blocos rochas ornamentais comprados pelas serrarias, ou ainda, as casa de materiais de construção, na compra de agregados como britas e areia.

Já para os bens minerais onde devem ser transportados pela empresa de origem, no caso de transportes ferroviários, um acordo tarifário especial pode ser obtido com reduções substanciais de preço, em relação às tarifas oficiais. Na hipótese de transporte rodoviário, os preços podem ser obtidos mediante entendimentos com os transportadores.

Wagner Araújo

Engenheiro de Minas pela UFOP, Mestrando em Geotecnia pela UFOP, Especialista em Recursos Minerais. Pós-graduado em Engenharia de Segurança do Trabalho pela FACAM. Pós-graduado em Master em Engenharia em Geotecnia pela PUC/MG. Experiência em atividades do Setor de Rochas Ornamentais e de Segurança de Barragens.

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