Como as Geociências e a Mineração são apresentadas na escola e como isso influencia no mercado

por Mateus Fernandes em 28/Jul/2020
Como as Geociências e a Mineração são apresentadas na escola e como isso influencia no mercado

Muitos de nós no setor mineral já sentimos o desdém da sociedade, principalmente, após os eventos catastróficos associados as barragens de rejeito. Há um desconhecimento da população em geral sobre a importância das geociências e a onipresença dela nos problemas e soluções da atualidade.

O número de estudantes que optam por estudar Ciências Geológicas ou Ciências da Terra na universidade é muito baixo e isso pode ser indicativo do ensino regular não discutir a importância dessa área para a sociedade e consequentemente, não incentivar o ensino superior na tal.

O clima está mudando no mundo todo, e com isso vem um apelo coletivo por mudanças em energia mais sustentável, fontes de alimentos, viagens e comércio, bem como por mudanças em nossas indústrias de manufatura e no consumo de recursos naturais. A geociência é parte integrante do combate às mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável.

No dia 14 de Julho de 2020 em mais uma live em nosso Instagram, a professora Marcela Tainã e a professora Andrea Sander discutiram a importância da Geociências e da Mineração com e para as gerações futuras, a fim de construir formas de discutir as Geociências e a Mineração com a mídia e com as escolas para garantir que haja gerações futuras de geocientistas que desempenharão papéis inovadores e essenciais em nossa sociedade.

Caso você não tenha assistido, pode conferir na íntegra em nosso IGTV clicando aqui e em nosso canal do YouTube, clicando aqui. 

Foram realizados vários questionamentos as professoras sobre o tema abordado. Segue abaixo as perguntas realizadas pelos participantes da live. 

@kbanaop: Como mudarmos essa concepção de que a Mineração é sempre a vilã dos processos produtivos?

ANDREA SANDER: A partir da educação e da informação, creio que as pessoas não têm conhecimento da onipresença dos bens minerais na vida cotidiana e também não têm ideia do tamanho real da mineração. As minas que estão dentro da lei, que respeitam a legislação não são notícia, infelizmente! Nem os benefícios fiscais que a mineração traz aos municípios e estados também não são abordados pela mídia. Se compararmos os impactos e as áreas atingidas e modificadas pelo agronegócio (por exemplo, com desmatamento, perda da biodiversidade e eutrofização das águas por acréscimo de N) se poderá verificar que os impactos da mineração são inferiores. É preciso divulgar isso, construir uma agenda positiva para as geociências como um todo, e não só para a mineração.

@erika.prata: Boa noite...sou professora de Geografia do Ensino Fundamental 2 e Médio. Como posso ter acesso a esse material?

ANDREA SANDER: Por favor, escreva para o mail sgbeduca@cprm.gov.br ou para andrea.sander@cprm.gov.br. Preciso de seu endereço completo, nome da escola, série e estimativa de quantas crianças serão beneficiadas anualmente pelas coleções, pois prestamos contas ao governo sobre o impacto social do projeto. Será um prazer atende-la. 

@antonio_zamuner: Profa Andrea, no nosso cenário educacional nacional, como podemos motivar os jovens a participar de cursos complexos como os da Geociências?

ANDREA SANDER: Antonio eu acredito que o caminho é a educação, pois as ciências da terra são um ramo fascinante das ciências que sempre estiveram muito próximas ao homem. É da Terra que a humanidade tira seu sustento e tudo mais que nos cerca. Assim acho que com a educação (sempre a educação!!) dos pequenos, por uma porta de entrada interessante, como por exemplo, os midiáticos dinossauros ou vulcões, se pode capturar o interesse deste público para esta área. Do mesmo modo, entendo que uma horta na escola desperta nas crianças a responsabilidade com os alimentos, quando elas acompanham todo o ciclo de cultivo, compreendem que para àquele alimento estar na mesa foi necessário muito cuidado e um grande esforço de quem produz, então devemos ser sábios com o seu uso.

@agabecker: Gostaria de saber como é a experiência com escolas públicas e privadas? Trabalhei com escola pública é nem se falava nestas coisas. E, neste caso, o que este projeto precisa para atingir um maior numero de escolas, pessoas, alunos....

ANDREA SANDER: Não é regra, mas em geral as escolas públicas estão menos preparadas para provocar os seus alunos. Instigar crianças e adolescentes é um desafio, e cabe ao professor este papel. Então o bom desempenho da escola pública na minha experiência com este trabalho tem dois pontos cruciais: a gestão e a preparação dos professores. Bons diretores fazem maravilhas com poucos recursos e professores qualificados e motivados completam este quadro. Mas com certeza esta é uma realidade desafiadora no nosso país, onde a educação e a docência são cada vez menos valorizadas.

@danicampolina.gandarelarte: O que dizer da Mineração que destrói aquíferos? Esse 'espaço' ser destruído definitivamente. Existe vida moderna sem água? Como a geologia lida com isso?

ANDREA SANDER: Dani, realmente este é um dos maiores desafios da vida contemporânea. O uso dos recursos sem a sua destruição. Por muitos séculos a exploração da Terra (incluindo ai não só os bens minerais, mas a água e solo) ocorreram sem esta preocupação e mais importante ainda, sem a conscientização da população de forma geral. Hoje as pessoas tem acesso a esta informação e podem fiscalizar como as empresas e os governos se comportam com estes recursos essenciais para a nossa vida. Com relação aos aquíferos, eles são primordiais a nossa sobrevivência e realmente em algumas áreas mineradas estes mananciais encontram-se comprometidos de uma forma que a tecnologia atual ainda não tem como recuperá-los. Então mais uma vez insisto na palavra educação. Ao se educar os cidadãos com foco na sustentabilidade, com respeito ambiental e responsabilidade social, estes usuários dos bens minerais (incluindo a água) e os gestores das corporações de todos os tamanhos poderão decidir de forma ética o seu uso e exploração. Ao mesmo tempo, os órgãos de controle cuidarão que isto seja realizado da maneira correta. E outro grupo, com apoio público e privado, irá se emprenhar em pesquisas para recuperar as áreas comprometidas e utilizar os recursos de forma mais sustentável.

@agabecker: O projeto tem/aceita patrocínio de parceiros ou se mantém como?

ANDREA SANDER: Não só aceitamos como estamos em busca de quem queira faze-lo! Para ganharmos em escala e atingirmos todas as escolas públicas do Brasil (que é o nosso maior desejo) precisamos de parceiros e patrocinadores.

@danicampolina.gandarelarte: Profa você está chamado o rompimento da Samarco e Vale como desastres naturais? Qual referencial teórico está considerando?

ANDREA SANDER: Dani, em nenhum momento chamei Mariana e Brumadinho de desastre natural. Desastres naturais são os que ocorreram na região serrana do Rio de Janeiro, em janeiro de 2011, atingindo com fortes chuvas Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, por exemplo. Os rompimentos de barragens são antes de tudo desastres causados por falta de uma gestão correta e responsável!

@antonio_zamuner: Andrea, vamos construir essa parceria aqui em Catalão! Conte comigo para buscar as empresas

ANDREA SANDER: Antonio, isto é musica para meus ouvidos, escreva para o mail sgbeduca@cprm.gov.br ou para andrea.sander@cprm.gov.br e conversamos!

@santanalopes.mirian: Como faço para ser Parceira

ANDREA SANDER: Miriam por favor escreva para .andrea.sander@cprm.gov.br ou para sgbeduca@cprm.gov.br

@danicampolina.gandarelarte: Profa como lidar com o fato de que os minerais não são renováveis. Se um dia os minerais irão acabar será que faz sentido lidarmos com uma ideia de minerar como se os minerais não fossem acabar?E se o preço da Mineração for ficar sem água, como trabalhar isso didaticamente?

ANDREA SANDER: Dani, neste momento ainda não há como abrir mão dos bens minerais. Dependemos integralmente deles, nas edificações, indústria química, alimentícia, farmacêutica, eletroeletrônica, metal mecânica, geração e transporte de energia... enfim não há como imaginar a nossa vida sem os bens minerais. Os impactos antrópicos são gigantescos! Nosso consumo e nosso descarte são absurdos, tanto de lixo urbano, como esgotos, a quantidade de fármacos na água dos mananciais que abastecem as cidades é estarrecedor (na falta de uma palavra melhor). O que fazer então? As mulheres deixarão de consumir anticoncepcionais para não descarregar hormônios em seus resíduos? Ou as pessoas com depressão irão parar de se medicar pelo mesmo motivo? Não há uma resposta fácil, nem uma solução simples. Insisto novamente na educação, quando as pessoas conhecem os problemas, podem mensurar seus impactos, costumam agir melhor, com mais responsabilidade, então creio que este é um caminho que devemos perseguir: educar, para melhorar as nossas perspectivas futuras. 

@igeologico: Seria muito legal se esses trabalhos fossem feitos com os professores. Em nenhum momento do meu ensino médio ouvi algo relacionado a geociência. Fui conhecer o curso no cursinho pré vestibular.

ANDREA SANDER: Oi Igeológico, sim! Com toda certeza! O projeto foca muito na qualificação do professor, colocando ao alcance dele material didático, coleções e práticas de sala de aula. O profissional do ensino no Brasil é muito abandonado pelo poder público e privado, não se ouve falar de políticas públicas para capacitar e qualificar quem ensina, em particular no ensino fundamental. Quem escolhe hoje esta área? São os melhores estudantes? Os mais qualificados? Com certeza não! Com raras exceções, quem escolhe a carreira docente do ensino fundamental são aqueles que têm no ensino uma porta mais acessível ao curso superior, uma vez que estes cursos em geral são pouco concorridos, e acredite é muito doloroso fazer esta afirmação. O próprio professor de ensino fundamental não encontra na sociedade em geral um respaldo e respeito por sua atividade. Uma professora me relatou que um aluno lhe perguntou qual era o trabalho dela “de verdade” quando ela não estava em aula! Acredito que isto mostra como ensinar para as crianças é pouco considerado entre nós. Então qualificar os professores é m dos objetivos do projeto. Para teres uma ideia, em fevereiro, antes da pandemia o projeto qualificou 307 professores de 6 municípios gaúchos e catarinenses.

Agradecemos a todos pela participação. 

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Mateus Fernandes

Analista de Comunicação e Marketing no Instituto Minere. Bacharel em Publicidade e Propaganda, Especialista em Marketing Estratégico. 

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