A importância do conhecimento dos mecanismos de ruptura

por Leandro Azevedo em 11/Mar/2019
A importância do conhecimento dos mecanismos de ruptura

A avaliação de Estabilidade de Taludes leva em consideração os possíveis mecanismos de ruptura que podem levar a instabilidade. A correta identificação desses mecanismos é de extrema importância, pois:

  • Em caso de rupturas vidas podem ser colocadas em risco. Esse com certeza é o ponto mais importante que é levado em consideração nos estudos;
  • Existem diversos custos associados a recuperação de áreas rompidas (isso inclui perda de equipamentos, eventual paralização das operações, custo de retirada de estéril, entre outros).

Ao identificarmos alguma anomalia na estrutura (uma trinca de tração, uma movimentação anômala, recalque, etc.) é necessário identificar os Mecanismos de Ruptura, para que haja a correta tratativa do problema.

As tratativas podem variar desde grandes obras de contenção ou até mesmo situações mais simples como pequenos muros de arrimo (normalmente utilizados em fase de fechamento de mina) ou até mesmo um “simples” retaludamento.

Além do Mecanismo de Ruptura devemos identificar em qual escala o problema ocorre. A Figura a seguir apresenta diferentes geometrias, com variações nas alturas das bancadas, larguras de bermas e ângulos inter-rampa.

Configuração dos Taludes em uma Mina a Céu Aberto (Zea Huallanca, Rolando Henrique 2004)

Um problema de ruptura em apenas uma face do talude não receberá a mesma tratativa de uma ruptura em escala inter-rampa. A figura a seguir apresenta de forma simplificada de alguns exemplos de rupturas. Algumas delas com controle estrutural (Ruptura em Cunha) e outras sem controle estrutural (Ruptura Circular).

Tipos de rupturas em taludes de mineração a céu aberto (PATTON e DEERE, 1971. Apud Zea Huallanca 2004)

É importante entender os gatilhos que podem gerar essas rupturas, assim como os principais tipos de monitoramento que podem auxiliar na identificação do problema. Com o correto entendimento dos mecanismos de ruptura podemos otimizar o trabalho de contenção e recuperação das áreas e em muitos casos antecipar o problema, trazendo mais segurança e economia para as operações em Cavas a Céu aberto.

Leandro Azevedo

Formado em Geologia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, começou sua vida profissional acompanhando sondagens em rios para a passagem de gasodutos da Petrobras. Atuou como coordenador de equipes de campo em trabalhos de aerogeofísica. Atualmente Geotécnico de Cavas na Vale onde possui mais de 10 anos de experiência em Mineração, vivência internacional em exploração Geológica na África e coordenação de equipes na Argentina. Especialização em Sistemas Mínero-Metalúrgico (UFOP) e Especialização em Engenharia de Recursos Minerais (UFMG). Mestrando em Engenharia de Minas na UFMG, com foco em perfuração e desmonte de rochas compactas. Desde 2016 também atua como professor em Belo Horizonte. Prestação de serviços/consultorias Geotécnicas.

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