A falácia da famosa amostra representativa para a rota de processo e os erros mais comuns

por Marcela Tainã em 11/Apr/2022
A falácia da famosa amostra representativa para a rota de processo e os erros mais comuns

O estudo de beneficiamento de minério é uma etapa fundamental no empreendimento mineiro. Sabe-se da necessidade de se ter o maior aproveitamento do material (máxima recuperação) e a necessidade de redução de custos operacionais e, atualmente, mais em voga a questão da diminuição dos rejeitos. Todas as variáveis são dependentes, maior recuperação, menor produção de rejeito, menor custo operacional, e para obter esse equilíbrio precisamos planejar o beneficiamento, esse planejamento (definição da rota) deve ser balizado por ensaios. E aqui começa a questão em temática, pois essas rotas são baseadas nas amostras do material enviado, se essas amostras não forem representativas, a rota não será aderente na prática.

São muitos os erros que estão relacionados a questão da amostra representativa para definição da rota de processo, mas nessa matéria apresentarei 4 deles.

O primeiro problema a ser apresentado é a questão da “A” amostra. O fato de ser enviada uma única amostra (e aqui a questão não é massa) impossibilita uma avaliação de uma questão fundamental que é a variabilidade.

A segunda questão é em relação a interpretação do sensu comum que a “A”amostra representativa é a amostra média. Busca-se um blend médio dos materiais como se isso representa-se o que será alimentado na planta. Nesse erro algumas coisas são bem obvias, por exemplo, é impossível a planta ser alimentada com esse blend médio, por vezes, são utilizados nesses blends materiais não aflorantes, que possivelmente nunca serão alimentados como os materiais mais superficiais. Na figura há um exemplo real do que representaria uma amostra média. No gráfico está apresentada a compacidade média nos anos de operação, extraída do sequenciamento de lavra até a exaustão da mina. O objetivo desse estudo era “A” amostra representativa para dimensionamento da moagem. Como é possível observar no exemplo, caso fosse feita uma composição média para esse dimensionamento, a usina iria trabalhar por mais de 15 anos superdimensionada e a partir do vigésimo quinto ano ela estaria subdimensionada. 

 

O terceiro erro mais comum está na definição da “A” amostra média a partir do blend dos litotipos, sem levar em consideração o volume que eles representam no depósito. E em linha com esse erro está o quarto, que é amostrar apenas o material aflorante. Para explicar, imagine que estamos amostrando um bolo, amostrar só a parte aflorante é como amostrar só a cobertura do bolo, e não levar em consideração a relação volumétrica para compor a amostra é como se estivéssemos colocando uma amostra meio massa de bolo e meio cobertura, quando na pratica a cobertura representa 10% do total do bolo.

Resumindo

1° Não levar em consideração a variabilidade;

2°Não levar em consideração a temporalidade no processo de amostragem;

3°Não levar em consideração o modelo de volume na composição ponderada;

4° Utilizar apenas materiais aflorantes que podem representar um volume baixo do total.

Marcela Tainã

Membro do Australian Institute of Geoscientists AIG. Bacharel em Geologia (USP), é especialista em Amostragem, QA/QC e Avaliação de Recursos. Participou como CP/ QP e implementação de programas de QA/QC (Quality Assurance and Quality Control) em projetos de grandes players nacionais. Vasta experiência também em modelamento geológico e Geometalurgia.

Deixe seu Comentário

Você também pode se interessar

© Instituto Minere

by nerit