Os gráficos de controle de processos em laboratórios de mineração

por Marcos Silva em 26/May/2022
Os gráficos de controle de processos em laboratórios de mineração

Você sabia que para a construção de Gráficos de Controle devemos considerar algumas premissas básicas?

Segundo a definição moderna, a qualidade é inversamente proporcional à variabilidade. Desta forma, a melhoria da qualidade está diretamente relacionada à redução da variabilidade nos processos e produtos, consequentemente, sendo à variabilidade excessiva associada ao desperdício. Neste contexto, os Gráficos de Controle auxiliam no monitoramento do comportamento do processo, podendo diferenciar a variabilidade natural das causas especiais.

- Processo Sob Controle:

O processo sob controle apresenta apenas variabilidade natural, variabilidade que não é possível ser evitada, ou seja, é o processo isento de causas especiais.

 

Figura: Representação gráfica de processo sob controle

As causas especiais estão relacionadas a problemas ou modo anormal de operação do processo e desloca a distribuição da variável aleatória de interesse, tirando a média do valor-alvo e/ou aumentado sua dispersão, desta forma, chegamos na segunda premissa para construção de Gráficos de Controle.

- Princípio de Normalidade:

Para a construção de Gráficos de Controle, os dados devem ser provenientes de uma distribuição normal. A presença de causas especiais geram deslocamentos na média ou desvios de normalidade no processo.

Figura: Representação gráfica de processo fora de controle

Para o monitoramento da média de características de qualidade contínuas, os Gráficos de Controle atuam no monitoramento da centralidade do processo.

É importante ressaltar que “se o processo estiver em controle, evite ajustes desnecessários, que só tendem a aumentar a variabilidade” (Shewhart), além de gerar custos desnecessários, portanto, evite intervenções equivocadas em um processo sob controle. Em geral, intervenções desnecessárias ocorrem quando é estabelecido limites de controle que não representam o processo.

Os processos devem ser monitorados frequentemente de forma a detectar, investigar para intervir e eliminar a presença de causas especiais, desta forma, chegamos na terceira premissa para construção de Gráficos de Controle.

- Efeito Temporal:

A coleta de dados das características de qualidade de um processo deve ocorrer de forma periódica em intervalos de tempo pré-definidos, ou no controle de lotes, como é o caso mais comum na indústria analítica geoquímica, seguindo uma relação temporal, ou seja, os Gráficos de Controle devem ser construídos levando em consideração o comportamento das características de qualidade ao longo do período de amostragem (função do tempo).

Os Gráficos de Controle são nada mais do que sucessivos testes de hipóteses onde testamos a hipótese nula (H0) que o processo de produção está sob controle estatístico, contra a hipótese contrária (H1) de que o processo de produção está fora de controle estatística. Desta forma, cria-se a regra de decisão do teste: intervir-se no processo, se a estatística de teste se encontra fora dos limites de controle, ou se não há nenhuma ação a seguir, se a estatística de teste se encontra dentro dos limites de controle.

A escolha da Estatística de Teste vai depender do aspecto a ser monitorado pelo processo, bem como as características de amostragem das variáveis de qualidade em questão. Os gráficos de controle de Shewhart para a média para observações individuais são muito utilizados na indústria analítica geoquímica pelo princípio de coleta e monitoramento das variáveis de qualidade, normalmente através do uso de materiais de referência, para controle de lotes em função do tempo.

Portanto, antes de iniciarmos a Construção de Gráficos de Controle de um determinado processo, deve-se garantir que tais premissas estão sendo atendidas.

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Marcos Silva

Bacharel em Química com Habilitação em Indústria (UFOP), Pós-Graduado em Estatística (UFMG), Black Belt em Estratégia Lean Six Sigma. Especialista em QA/QC em Exploração Mineral e Ambiental, validação de métodos e cálculo de incerteza de medição e Lead Assessor NBR ISO/IEC 17025:2005.

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