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Bio-Mineração: Ouro e Prata Podem Ser Extraídos de Algas Marinhas?

Instituto Minere

A mineração tradicional enfrenta pressões crescentes por sustentabilidade, custos operacionais elevados e impactos ambientais significativos. Enquanto o setor busca alternativas mais limpas para extração de metais preciosos, uma empresa australiana aposta em uma fonte inusitada: algas marinhas. Para profissionais que acompanham inovações no setor mineral, entender como a bio-mineração pode transformar a cadeia de suprimentos de metais é essencial. Neste artigo, você vai conhecer o projeto pioneiro que busca extrair ouro e prata de plantas aquáticas.

O que é o Projeto 6-7 da BPH Global?

A BPH Global finalizou seu programa de pesquisa e desenvolvimento para 2026 e 2027, que busca responder a uma pergunta inédita: ouro e prata podem ser extraídos de algas marinhas?

O programa atualizado, denominado ‘Projeto 6-7’, foca na exploração do potencial das algas marinhas como bioacumuladores de metais preciosos, inspirado em estudos que já demonstram a capacidade natural dessas plantas aquáticas de concentrar elementos como terras raras, metais pesados e outros minerais críticos a partir da água do mar.

A empresa, sediada na Austrália, planeja conduzir testes em laboratório e em ambientes controlados para avaliar se espécies específicas de macroalgas (como kelp e outras algas pardas ou vermelhas) podem acumular quantidades economicamente viáveis de ouro (Au) e prata (Ag) em suas estruturas celulares.

Como as algas acumulam metais preciosos?

Pesquisas científicas prévias indicam que algas marinhas possuem mecanismos de biossorção altamente eficientes, graças a compostos como alginatos, fucoidanas e proteínas que se ligam a íons metálicos.

O que é biossorção?

Biossorção é o processo natural pelo qual organismos vivos, como algas, acumulam metais e minerais dissolvidos na água através de ligações químicas em suas estruturas celulares. No caso das algas marinhas, compostos específicos presentes em suas células funcionam como “ímãs” para íons metálicos, concentrando-os em níveis muito superiores aos encontrados na água do mar.

Taxas de recuperação impressionantes

Estudos publicados em revistas como Bioresource Technology e Journal of Hazardous Materials já comprovaram a extração de metais como urânio, cobalto, níquel e terras raras a partir de biomassa algal, com taxas de recuperação que chegam a 90% em condições otimizadas.

Por que o oceano pode ser uma “mina natural”?

A BPH Global aposta que, com o aumento da concentração de metais preciosos na água do mar devido a atividades antrópicas (como mineração submarina e descarte industrial), certas regiões oceânicas possam servir como “minas naturais” cultiváveis via aquicultura de algas.

Diferente da mineração tradicional, que explora depósitos fixos no subsolo, a bio-mineração utilizaria o oceano como um sistema dinâmico onde as algas funcionariam como “coletores biológicos” de metais dissolvidos, renovando-se continuamente através do cultivo controlado.

As quatro etapas do Projeto 6-7

O ‘Projeto 6-7’ inclui etapas estratégicas para avaliar a viabilidade técnica e econômica da extração de metais preciosos via algas marinhas:

1. Seleção e cultivo de espécies de algas com maior afinidade por Au e Ag

Nem todas as espécies de algas têm a mesma capacidade de acumular metais específicos. A BPH Global vai identificar quais macroalgas (kelp, algas pardas ou vermelhas) demonstram maior eficiência na bioacumulação de ouro e prata.

2. Análise de bioacumulação em diferentes condições salinas e de pH

As condições ambientais influenciam diretamente a capacidade de biossorção das algas. O projeto vai testar diferentes cenários de salinidade e acidez da água para otimizar a acumulação de metais preciosos.

3. Desenvolvimento de métodos de extração não destrutivos ou de baixo impacto ambiental

Uma vez que as algas acumulem os metais, será necessário extraí-los sem destruir a biomassa. Técnicas como lixiviação biológica estão sendo consideradas para permitir processos sustentáveis e de baixo impacto.

4. Avaliação de viabilidade econômica e escalabilidade para produção comercial

O projeto vai determinar se os custos de cultivo, extração e processamento tornam o método competitivo frente à mineração convencional, e se o modelo pode ser escalado para produção industrial.

Vantagens sobre a mineração tradicional

Se bem-sucedido, o projeto poderia representar uma alternativa sustentável à mineração convencional de metais preciosos, reduzindo impactos ambientais como desmatamento, uso de cianeto e emissões de carbono associadas à extração terrestre.

Impactos ambientais evitados:

  • Desmatamento: Não há necessidade de abertura de cavas ou remoção de vegetação
  • Uso de cianeto: Processos biológicos eliminam químicos tóxicos
  • Emissões de carbono: Cultivo de algas pode ser carbono neutro ou negativo
  • Rejeitos sólidos: Redução drástica na geração de resíduos minerais

A BPH Global destaca que o interesse em bio-mineração via algas vem crescendo globalmente, especialmente em meio à transição energética e à busca por fontes de minerais críticos com menor pegada ecológica.

Checklist: Por que a bio-mineração pode revolucionar o setor

Sustentabilidade ambiental:

  • Redução de desmatamento e abertura de cavas
  • Eliminação do uso de cianeto e químicos tóxicos
  • Menor emissão de carbono
  • Aproveitamento de áreas oceânicas sem interferir em ecossistemas terrestres

Viabilidade técnica:

  • Taxas de recuperação de até 90% em estudos científicos
  • Mecanismos naturais de biossorção altamente eficientes
  • Cultivo renovável através de aquicultura
  • Aplicação já comprovada para urânio, cobalto, níquel e terras raras

Contexto geopolítico:

  • Diversificação das fontes de metais críticos
  • Redução da dependência de mineração terrestre
  • Aproveitamento de resíduos industriais dissolvidos no mar
  • Alinhamento com agendas de transição energética

Inovação científica:

  • Parceria entre bio-tecnologia e mineração
  • Desenvolvimento de métodos de extração não destrutivos
  • Pesquisa em diferentes espécies de macroalgas
  • Otimização de condições ambientais para máxima eficiência

Domine as inovações que estão transformando a mineração

A bio-mineração representa a convergência entre biotecnologia, sustentabilidade e mineração de precisão. Projetos como o da BPH Global demonstram que o futuro do setor mineral está na capacidade de desenvolver processos inovadores que aliem eficiência técnica e responsabilidade ambiental.

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Instituto Minere

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