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Bahia: A Nova Fronteira da Mineração Brasileira com R$ 9 Bilhões em Investimentos

Instituto Minere

Enquanto Minas Gerais e Pará dominam tradicionalmente a mineração brasileira, um novo polo está emergindo com força no Nordeste. Para profissionais e investidores que buscam identificar oportunidades em regiões com alto potencial de crescimento, compreender os fatores que tornam a Bahia atrativa é essencial. Neste artigo, você vai conhecer os números que colocam o estado no mapa da mineração nacional, os minerais estratégicos sendo explorados e os desafios de infraestrutura que precisam ser superados.

Quanto será investido na Bahia nos próximos anos?

De acordo com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), do total de investimentos no Brasil, de US$ 8,994 bilhões entre 2025 e 2029, 13% estão na Bahia. Já estão em solo baiano nomes conhecidos, como Equinox Gold, Ero Caraíba, Bahia Mineração, Ferbasa e outros.

O estado só fica atrás como destino dos recursos dos dois estados tradicionais na mineração, Minas Gerais (24%) e Pará (19,7%). Esta posição consolida a Bahia como a terceira maior receptora de investimentos minerários do país.

O crescimento impressionante do faturamento baiano

Outro indicador da atividade na Bahia é o faturamento da Produção Mineral Baiana Comercializada (PMBC), que deu um salto de 39%, a R$ 13,1 bilhões, no acumulado de janeiro a novembro de 2025 ante 2024, conforme a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) do estado. Em 2024 contra 2023, a cifra havia se expandido 4,5%.

“Apesar da participação modesta na produção mineral brasileira, houve crescimento de 300% na produção baiana nos últimos dez anos”, disse a coordenadora de mineração da SDE, Ana Cristina Magalhães. “Estamos num momento muito bom. Retomamos o terceiro lugar na produção nacional.”

Por que investidores estão de olho na Bahia?

A atratividade é explicada, em parte, pelos investimentos realizados nos últimos 20 anos pela Companhia Brasileira de Pesquisa Mineral (CBPM), estatal baiana que apoia a atividade e hoje se chama Companhia Brasileira de Produção Mineral. Além disso, a demanda internacional por minerais críticos, essenciais à transição energética, estimula o interesse pelo Estado, que se destaca pela variedade desses recursos em seu solo.

“Temos muito conhecimento geológico, com todo o mapeamento mineral. Levantamos oportunidades e alavancamos a situação para os empreendimentos, num cenário regulatório mais dinâmico, que o Estado procura manter”, diz Magalhães.

Ambiente favorável aos negócios:

Líder de Energia e Recursos Naturais da consultoria EY, Afonso Sartorio concorda, ressaltando que a Bahia tem perfil de aceleração na atividade mineradora. Ele ressalta o forte histórico de pesquisa, com cerca de um quinto do que foi aportado na atividade no Brasil na última década. Além disso, diz, o Estado é visto como “amigável” à atividade. “É diferente de Estados onde as atuações são mais conflituosas com o setor privado, o que impacta nas estruturas de custos.”

Ouro impulsiona exportações baianas

O aquecimento do setor contribui com a expansão das exportações. As vendas externas de minerais aceleraram de US$ 1,37 bilhão para US$ 1,6 bilhão, no período de janeiro a novembro de 2025, avanço de 23% ante igual período de 2024, tendo como principal produto o ouro, que vive forte valorização no mercado internacional.

“A Bahia cresce na mineração, ano a ano, com exploração de produtos tradicionais, como minério de ferro, e produtos que estão em voga atualmente, como terras raras”, diz Rafael Marchi, sócio-diretor da consultoria A&M Infra. “Além disso, atualmente, está se beneficiando da ‘corrida do ouro’, pois este é seu principal metal.”

Concentração geográfica: Jacobina e Jaguarari lideram

Por outro lado, a produção minerária não está bem distribuída no Estado. Dois municípios concentram quase metade (42%) do faturamento da produção.

Jacobina – 28% do faturamento:

O município líder é Jacobina, no norte da Bahia, na região da Chapada Diamantina. Na cidade, conhecida como Cidade do Ouro, a Pan American Silver (antiga Yamana) explora o metal amarelo.

Jaguarari – 14% do faturamento:

No município de Jaguarari, no centro-norte baiano, a Ero Copper produz cobre, contribuindo significativamente para o faturamento mineral do estado.

Província Metalogenética: a nova fronteira de minerais críticos

O Estado também aposta numa nova fronteira de desenvolvimento do setor, a Província Metalogenética do Norte da Bahia, onde se identificou potencial numa série de minerais, inclusive considerados críticos e estratégicos, como níquel, cobalto, grafita, cobre, fosfato e terras raras, além de ouro e ferro. A área é considerada promissora, mas pouco explorada.

“Temos 64 áreas de terras raras que estão sendo desenvolvidas na Província Metalogenética”, comenta Henrique Carballal, presidente da CBPM.

Esta província representa o futuro da mineração baiana, alinhada à demanda global por minerais essenciais para a transição energética e para tecnologias emergentes.

O grande desafio: infraestrutura de transporte

O Estado, porém, enfrenta desafios para sustentar o crescimento da indústria mineradora. O maior obstáculo aos empreendimentos é a carência de infraestrutura de transporte. “Obras como portos e ferrovias precisam ser executadas junto com os investimentos em produção”, ressalta Sartorio, da EY.

A importância da Fiol:

Rafael Marchi, da A&M Infra, concorda que há necessidade de infraestrutura para o escoamento da produção e considera fundamental a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), planejada para ligar o interior da Bahia ao litoral – Porto de Ilhéus – e, no futuro, conectar-se a outras ferrovias nacionais.

Desafios do projeto:

A construção da ferrovia está dividida em segmentos. O trecho Ilhéus-Caetité da Fiol estava em andamento sob concessão da mineradora Bamin (Bahia Mineração). A empresa é controlada pelo grupo cazaque Eurasian Resources Group, que desistiu do projeto, suspendeu as obras e busca investidores para assumirem o empreendimento.

Nesse contexto, conforme informações de mercado, a mineradora Vale sofreu pressões para assumir a Bamin, garantindo a construção da ferrovia. As lideranças da companhia não descartaram estudar o projeto, mas não dão indicações claras de interesse.

O papel estratégico da CBPM

Considerada fundamental na estruturação da indústria mineradora baiana, a CBPM está passando por uma reformulação, se reposicionando para ampliar as funções, podendo fazer parcerias e prestar serviços para as empresas. Hoje, a companhia participa de cinco projetos no Estado e, com sua expertise, tem facilitado o desembaraço dos processos relativos ao licenciamento e à implantação de empreendimentos para exploração mineral na Bahia.

Checklist: Por que a Bahia está atraindo investimentos em mineração

Vantagens competitivas:

  • Ambiente regulatório dinâmico e amigável aos investimentos
  • 20 anos de mapeamento geológico pela CBPM
  • Estado visto como menos conflituoso com o setor privado
  • Crescimento de 300% na produção mineral em dez anos

Potencial mineral:

  • 64 áreas de terras raras em desenvolvimento
  • Província Metalogenética com minerais críticos
  • Presença de ouro, cobre, níquel, cobalto, grafita e fosfato
  • Terceiro maior destino de investimentos minerários do Brasil

Desempenho recente:

  • Faturamento de R$ 13,1 bilhões (jan-nov 2025)
  • Crescimento de 39% no faturamento em 2025
  • Exportações de US$ 1,6 bilhão com avanço de 23%
  • Presença de grandes mineradoras internacionais

Desafios a superar:

  • Carência de infraestrutura de transporte
  • Necessidade de conclusão da Fiol
  • Concentração produtiva em poucos municípios
  • Dependência de investimentos em logística

Domine as estratégias de mineração em novas fronteiras

A expansão da mineração na Bahia representa oportunidades significativas para profissionais que compreendem os aspectos geológicos, regulatórios e estratégicos de projetos em regiões emergentes. O conhecimento sobre minerais críticos e transição energética é essencial para aproveitar esse momento.

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Instituto Minere

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